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terça-feira, 25 de junho de 2013

Caixa da laranja atinge R$25,00, em São Paulo




A coluna Citricultura Paulista volta abordando o panorama citrícola de nossa região através do aspecto do agricultor. Como ele encara esse agronegócio, tão importante para o PIB estadual e federal? Iniciamos nossa matéria conversando com dois irmão, citricultores e revendedores de frutas para o mercado, inclusive com box no Ceasa de São José dos Campos, estamos falando de Mauro e Alexandre Tetzner, saiba os assuntos abordados:

Laranja preço bom
Segundo Alexandre “o preço na entressafra da laranja de mesa está bom, variando entre R$10 e R$13 a caixa de 40 kg, o que estão reclamando é o preço da laranja de fábrica, segundo falam recebem R$6 a caixa de 40kg entregue na porta das fábricas de suco”.

Novos Pomares
Os produtores desanimaram com os preços pagos pala safra da laranja do ano passado e abandonaram os pomares, provocando falta da fruta. Verificamos que os donos de packing house (conhecido como barracões) estão pensando em plantar novos pomares para suprir a própria demanda. Alexandre Tetzner confirma o por que: “Estamos procurando a qualidade da laranja Pêra Rio ‘temporona’ e estamos pagando R$18 a caixa na roça e não tem. É preciso ir até Jales, 600 km daqui, para encontrar o produto.
Hoje a lógica do mercado de packin house que tende a crescer cada vez mais é investir no plantio, porque não tem parceria entre o citricultor e o barracão. Hoje as grandes fazendas de laranjas vão pra frente porque tem parceria com o barracão. Posso citar vários exemplos disso. A parceria funciona na conversa que o produtor tem com determinado barracão que necessita de determinada qualidade de fruta. Não existe contrato, mas também pergunte a produtores se eles tiveram perdas cultivando seus pomares pensando em vender as frutas para mesa? Eles é que vão dizer se dá dinheiro ou não. Esses produtores estão plantando cada vez mais em áreas próprias para laranja. É essa visão de parceria que falta a muitos citricultores”.


Queda de produção
Mauro Tetzner participa na conversa dizendo: “Hoje a laranja precoce como Charmute ou natal que está segurando o preço na entressafra, se não tivesse essa fruta o preço já tinha disparado. A previsão de queda da produção para a entressafra em 2014 é de 35% a mais que esse ano. No trato dos pomares de laranja de mesa é necessário pulverização a cada quinze dias enquanto que pomares de frutas para a indústria são pulverizados uma vez ao mês. O custo de produção, para uma mercadoria que sai nessa época é maior, porém o lucro também é maior na entressafra”, completa.


Falta de produtos
Os irmão Tetzner são categóricos na hora de falar em qualidade e produção de citros, dizem que a falta de qualidade era um problema que foi agravado com a queda na produção; “A tangerina Polkãn não existe mais na nossa região, esta em falta. A ajuda por parte das indústrias de suco a quatro anos atrás pagando preços elevados e exigindo pouco trato aos pomares fez o citricultor optar pela indústria que agora paga pouco pelas frutas. Se ele quiser voltar para o mercado e oferecer laranjas com qualidade de mesa, ele terá um custo muito alto, vai ter que adubar melhor, e cuidar por uns dois a três anos para ter uma safra boa de qualidade. Esta certo que não é só o preço que desanimou os produtores, existe também a ameaça das pragas e doenças como o Greening. Acho que o governo paulista deveria ajudar a desenvolver pesquisas em prol do citricultor” citaram.

Poder de compra

Alexandre conclui dizendo o ponto de vista do consumidor; “Pelo poder aquisitivo dos trabalhadores de uma forma geral ter aumentando, quando vão as compras esse consumidor exige qualidade, não vai querer comprar uma fruta furada, o consumidor quer uma fruta limpinha de casca e quando abrir quer que esteja bonita por dentro e doce, o mercado está exigente, portanto quem manda no barracão é o cliente”. Perguntamos se os produtores estão cientes desses dados? Alexandre respondeu, que “muitos não se atentaram a isso. Apenas aqueles que estão acompanhando a tecnologia. Na época de meu pai era possível comprar a safra antecipada de 3 a 4 meses, hoje não posso fazer isso porque não sei se a laranja estará boa no futuro, nossa compra é diária. Temos relato que no último final de semana de fevereiro o preço da caixa da laranja Pêra Rio ficou entre R$25 a R$30 para venda ao mercado na cidade de São Paulo. Muitas vezes o produtor não acompanha a tecnologia e nem o mercado. Quando falam que o preço da laranja está ruim, está para quem produz para a indústria, vender no mercado interno, para mesa, o preço só vem aumentando ano a ano”.  

Os irmão Tetzner


[Matéria publicada originalmente na edição 125 do Jornal Pires Rural, 06/03/2013 - www.dospires.com.br]




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