Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Brunela, o alface da copa no Brasil

Brunela o alface 'sucrilhos'


Brunela também pode ser conhecido como o alface ‘sucrilhos crocante”. Explico; o consumidor brasileiro esta acostumado a comprar dois tipos de alface; o crespo por sua característica visual e também o alface americano, devido sua “crocância”. Fato que levou a queda no consumo do alface crespo. O pesquisador Dr. Cyro Paulino da Costa constatou esse fato e começou a buscar a solução no desenvolvimento de uma nova qualidade inovadora e diferenciada que fosse de encontro com a vontade do consumidor, assim nasceu a Brunela.

Em 2010 o professor Fernando César Sala iniciou seus trabalhos no Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), do campus de Araras da Universidade Federal de São Carlos, a UFSCAR, que recebeu como doação o banco de germoplasma desenvolvido pelo Dr. Cyro Paulino da Costa, que estava se aposentando. Juntamente com esse banco de sementes estava sendo iniciada a pesquisa da nova variedade Brunela.

O professor Fernando deu prosseguimento as pesquisas que duraram mais quatro anos, até chegar ao mercado. “Dia 22 de maio fez um ano que disponibilizamos as sementes para os produtores testarem. E o resultado foi excelente, a aceitação está sendo boa, o preço de venda é o mesmo do que as outras qualidades de alface”, destaca Fernando.

A pesquisa
O foco do Centro de Ciências Agrárias é ter uma tecnologia UFSCAR para desenvolver alfaces tropicais para o Brasil. O alface Brunela é a primeira variedade que está sendo disponibilizada ao mercado das mais de 10 espécies ainda em pesquisas. “O projeto não visa só uma variedade, nossa ideia é fazer uma alface mimosa, uma lisa, uma romana, uma roxa crocante, assim sucessivamente”, aponta o pesquisador que tem como ajudantes técnicos da área experimental da faculdade, Eduardo Amaral, 30 anos de experiência no campo e o técnico agrícola Samuel Chiodi, morador do bairro dos Pires.
A nova variedade de alface acrescenta o conceito gourmet, muito usado no setor de gastronomia, para denominar sabores únicos, por isso a Brunela tem uma característica com tipologia de folha grossa, crocante e muito saborosa. “Isso foi feito através de cruzamentos de flores de diversas variedades de alface. Com financiamento do governo brasileiro e pesquisadores também brasileiros”, disse Fernando.

Cruzamento
Cinqüenta por cento do mercado brasileiro consome a alface crespa (Vanda) e o alface tipo americano, com formação de uma cabeça parecido com um repolho, esse ocupa uma fatia de 30% de nosso mercado. O professor Fernando conta, “a principal característica do alface americano é a sua crocância, entretanto é um alface que tem muitas limitações de cultivo pelo fato de quando está formando a cabeça e há ocorrências de chuvas ela acumula água em seu interior, perdendo a planta”.
Ele continua, “qual foi a ideia da Brunela? Foi fazer uma alface com a arquitetura da crespa, aberta, que não acumula água, com a textura e crocância da americana, sem a cabeça. Ao consumir uma salada, com a Brunela, a pessoa irá comer algo que lhe dá prazer, sabor. Sua crocância lhe confere suculência. Na época da copa, quando um estrangeiro chegar ao Brasil e querer saborear uma salada típica, que opção ele teria? A salada simples com alface crespa amarga e com tomate sem sabor e a salada completa, que é uma fortuna e vem palmito, alface, tomate, milho e ervilha. A Brunela veio para acrescentar sabor a mesa do brasileiro”, apontou.

Produção
A Brunela tem o mesmo ciclo de produção das outras variedades de alface, porém ela é uma mini crocante, a maior das espécies, com número de folhas igual da crespa, mas seu porte é bem menor. Sua vantagem é que pode ser cultivada com cinco linhas no canteiro, colocando até 50% a mais de planta numa mesma área ocupada pela alface crespa. O cultivo hidropônico também apresentou excelentes resultados, assim como o cultivo orgânico.
Há um ano a Brunela esta sendo validada de forma comercial em 7 estados brasileiros. “Com o seu lançamento oficial ocorrido dia 22 de maio, último, estaremos agora licenciando empresas no setor de sementes interessadas em vendê-la para que o produtor tenha acesso comercialmente a semente, e a universidade receberá royalty´s por essa venda” pontuou Fernando Sala.

Por enquanto, o produtor que estiver interessado no cultivo da variedade de alface Brunela é só entrar em contato com a UFSCAR, pois a universidade está doando sementes aos interessados. O contato pode ser feito pelo telefone 19 – 3543.2660, dizer sua demanda para receber as sementes.


Os alfaces podem ser plantados em linha de 5 pés.



Capa da edição 131 do Jornal Pires Rural


[Matéria publicada originalmente na edição 131 do Jornal Pires Rural, 31/05/2013 - www.dospires.com.br]

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