Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

domingo, 29 de março de 2015

As carroças Marchini

Sr. João Marchini trabalhou vendendo verduras com sua carroça durante 40 anos. Aí resolveu mudar de profissão. Por revirar, em sua infância, nas coisas de carpinteiro de seu avô e vê-lo manusear as ferramentas, pegou pratica no trabalho com madeiras. Sr. João é um sujeito de muitas noções. Quando montou sua oficina para trabalhar na manufatura de charretes e carroças, foi ele quem construiu o maquinário como a furadeira e outros que utilizou como ferramentas em seu serviço. “Comecei em 1978, tenho muito conhecimento, fiz máquina para emparelhar madeira. Alugava umas máquinas, que tinha construído, para fazer tamanco de madeira com tiras de couro. Conheci de tudo um pouco. desde trabalhar na roça até forjar a ferragem”. Sr. João também consertava charretes. Teve diversos cavalos e charretes. Ele mesmo amansava seus animais. “Colocava eles na charrete e saía andando”, conta. Sua charrete disse não tem mais “nem a sombra” relata em tom bem humorado.


Carroça do Sr. João

Sua oficina, hoje em dia, quem toca é seu filho João Luís Cavinato Marchini que também já fez máquinas para trabalhar na construção das carroças. Segundo ele, toda a execução de uma charrete é feita artesanalmente e hoje ele tem as máquinas, a eletricidade, mas “antigamente era tudo lavrado à mão, no serrote, formão, talhadeira”.
A freguesia, na época de seu pai, eram pessoas que moravam no sítio e que encomendavam carroças e charretes e havia muitos consertos também. Segundo Sr. João “foi um período de luta, viu? Graças a Deus, foi bem, deu tudo certo. Hoje estamos aí”.


Sr. João Marchini, montou sua oficina para trabalhar na manufatura de charretes e carroças

 Seu filho nos conta que acompanhava o pai quando saía para vender verduras. “Ele tinha uma grande freguesia, mas eu me envolvi mais com a oficina dele”. Ele tem uma grande responsabilidade em mãos que é manter a tradição e o sustento da família com o que herdou. E por falar em herança, no ano de 1973, eles adquiriram um caminhão Chevrolet ano 51 que está com eles até hoje e “funcionando”.

Uma das heranças da família Marchini, caminhão Chevrolet ano 51

João Luís costuma usar a madeira de garapeira para construir suas charretes de passeios, que são as mais procuradas. “Minhas charretes são totalmente pintadas, tanto ferragens quanto as partes de madeira. A parte de tapeçaria divido a metade do serviço com um amigo. Uma charrete boa de acabamento, boa de qualidade, fica no valor de R$2200,00. Existem as mais caras com ferragens cromadas, etc. Eu cheguei a fazer um trole pra mim. Não copiei modelo de ninguém, cada detalhe foi criado tudo da minha cabeça. Vendi ele mês passado para um empresário que ia usar para distribuir presentes com o papai Noel”.

Trole feito pelo Sr. João

Perguntado se tem que levar o cavalo para tirar as medidas antes de fazer a charrete, ele diz que não é necessário, pois, mesmo sem saber o tamanho do animal, suas charretes servem tanto para animais de porte médio quanto grande.


Matéria publicada originalmente na edição 33 do Jornal Pires Rural, 15/01/2007 - www.dospires.com.br]

Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…


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