Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

terça-feira, 21 de abril de 2015

Ponto sem retorno

Muito se discute sobre a influência de nós, seres humanos, na contribuição para o processo de aquecimento global. Existia uma crença de que esse fenômeno poderia ser apenas um ciclo natural do planeta, porém, os estudos apresentados no relatório do chamado “Grupo de Trabalho I” do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (Ipcc), em 2 de fevereiro deste ano, deixam evidente que o processo de aquecimento global é causado pela humanidade. Desmatamento, processos de produção agrícola e industrial poluidores, exploração excessiva de recursos naturais sem um manejo adequado, falta de estudos integrados de controle da poluição do ar, são apenas algumas das causas a serem enfrentadas.As conseqüências são as mais diversas possíveis: degelo das calotas polares com o aumento do nível do mar e conseqüente diminuição da área de território habitável, perda de biodiversidade, desastres ambientais como enchentes, longas estiagens, furacões, entre outros, além dos efeitos ainda não conhecidos.

As consequências são as mais diversas possíveis
Esse quadro alarmante nos faz refletir sobre as práticas necessárias a serem adotadas para conter ou, no mínimo, diminuir os efeitos desse fenômeno. Dois caminhos são bastante claros, o primeiro constituído por mudanças de hábitos pessoais, por mais insignificantes que pareçam ser, e o segundo por uma transformação da visão dos grandes poluidores e gestores públicos, em busca de processos sustentáveis.
Respostas efetivas somente serão obtidas se houver uma pressão popular tanto em âmbito governamental como privado. O que traz portanto, a necessidade de ações pró-ativas da população, que pressionem esses meios e possibilitem uma mudança suficiente para diminuir ao máximo o efeito das conseqüências do aquecimento global.
A certeza que temos é a de que não nos resta muito tempo para tomar decisões e agir em busca de soluções que tragam uma melhor expectativa e qualidade de vida para todos.

Luiz Filho * Mestrando em Eng. Ambiental – UFPR.

Matéria publicada originalmente na edição 36 Jornal Pires Rural, 10/03/2007-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

Adega Forner

Descendentes de família de italianos produtores de cachaça Clayton Forner manteve a tradição desde que se instalou nas margens da rodovia Limeira-Mogi em 1983.
Clayton recorda-se do tempo em que seu pai “lambicava” de dia e seus tios à noite, isto é, destilavam a pinga. “A cana passava pelo picador, facilitando a extração do caldo. Extraia-se o caldo mandava direto para as dornas de fermentação, esse processo durava 24 horas. No dia seguinte o caldo ia ser destilado, onde deixavam em torneis de 80 mil litros” explica Forner. O nome da aguardente era Caninha Guaiqui-Cana, em referência ao nome das terras da redondeza ter o singelo apelido de “Guaiquica” (espécies de ratos que viviam no local).
Por volta de 1985, no engenho as margens da rodovia, o movimento de clientes começou a aumentar e dar segurança para um expansão do alambique, como explica Clayton “compramos três ternos de moenda hidráulica, uma caldeira de 90 m de altura e a produção aumento dos 150 litros/ hora para 900 litros/hora. Também compramos quatro tonéis de 25 e 30 mil litros”. Os tonéis são feitos por um tanoeiro com vigotas de 6 cm de espessura usando a madeira Jequitibá rosa. “É uma madeira dura, que não filtra, não dá vazamento e também não passa cor para a pinga, deixando ela “branquinha”. Para s pingas amarelinhas tenho cartolas de carvalho, que armazenavam malte de whisky na época de meus avós. Messes barris de 150 litros cada deixo a cachaça descansar por 5 anos, tenho uma perca de 30%, pela madeira absorver um pouco o liquido. Fica uma pinga macia, gostosa de beber, com leve sabor do malte e cor amarelada” descreve.


Fachada da empresa nas margens da rodovia Limeira-Mogi.

Durante 20 anos a adega Forner destilou o seu próprio aguardente, mas por alguns remanejo de investimentos, há 4 anos venderam a destilaria. “Procurei por vários engenhos aquela caninha que era mais próxima da produzida por nós, para não ter muita diferença no sabor. Hoje compro a pinga podendo exigir mais da qualidade do produto” declara o proprietário.


Clayton Forner Descendente de família de italianos produtores de cachaça mantem a tradição.


Com o passar do tempo à adega foi diversificando sua produção, acrescentando as pingas com sabores como canela, maçã, abacaxi, ao todo são 10 tipos. “Continuo a produzir as pingas com sabores, amarela, envelhecida. Também produzo “Campari”, Gim, “St Remy”, Whisky, Vodca, “Martini”. Temos 25 tipos de licores, 20 tipos de batidas como a “Amarula” que é a mais vendida, tem Açaí. São batidas cremosas feitas com leite condensado, produção caseiras sem conservantes e acidulantes do tipo. Também vendemos o vinho que compro direto do Sul, excelente produto, que só se encontra aqui porque vem a granel. Além de algumas guloseimas como rapadura, doces em compota, lingüiça caseira e queijos. Convido vocês para virem aqui provar nossos produtos, tudo o que tem aqui pode ser comprovado para sentir a qualidade e escolher pelo melhor produto”, finaliza Clayton Forner.




Matéria publicada originalmente na edição 35 Jornal Pires Rural, 20/02/2007-www.dospires.com.br]

Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

Artesãos fazem viola com cheiro

Artesãos famosos em nossa região, os Fontana, como são conhecidos em Artur Nogueira, onde residem, são verdadeiros mestres na arte de fazer manualmente instrumentos de corda. Se tornaram luthier pelo fato de “ terem a veia musical” e pela fixação de fabricar o próprio instrumento.
Há cinco anos atrás, Jair Fontana procurou pelo luthier  Tião na cidade de Cosmópolis para fazer um pedido de uma viola. Seu Tião é uma pessoa que fazia instrumentos “rudimentarmente na ponta do canivete” como dizem. “Quando pedi para ele construir uma viola fui acompanhando seu trabalho aí despertou a vontade de construir o meu próprio violão”, conta Jair.


Jair Fontana, é o músico e também  responsável pela qualidade sonora dos instrumentos produzidos. 

Como o pai dos Fontana tem uma madeireira, Jair consultou Tião para saber que tipo de madeira usar na construção do instrumento. “Ele me ensinou que deveria usar jacarandá e cedro que tínhamos aqui e que foi a forma de pagamento dessa viola”.
De tanto perguntar Tião acabou deixando Jair levar uma forma de violão para tentar a sorte e disse-lhe: “Você vai conseguir, já mexe com madeira e é músico, vai lá”.
Chegando em casa todo entusiasmado Jair convidou seu irmão José Fontana para “dar uma força”. Relembra José, “vamos lá então, quero ver como ele faz”. Aí voltaram em Cosmópolis na casa do Tião.
Segundo eles o primeiro violão “saiu certinho, afinado. Talhamos o braço, montamos o corpo naquela forma do Tião. Só compramos as partes de metal, como tarraxas e parafusos. O primeiro nos motivou a fazer outros. Saiu meio pesadão porque não tínhamos a manha, mas o som ficou bom”, disseram.
Hoje, eles já desenvolveram a própria técnica fazendo formas para violas e violão e até se arriscaram, recentemente, em fazer uma para cavaquinho.
Como Jair é o músico, ele é o responsável pela qualidade sonora dos instrumentos produzidos. Segundo ele existem vários fatores que influenciam no som. Exemplo o tamanho do bojo (corpo) pela quantidade de ar dentro dele, a espessura e qualidade da madeira. Explica que “a madeira usada tem que ser muito seca, estar no mínimo 20 anos serrada e guardada. O que faz vibrar o som no instrumento é a madeira. A idéia é criar uma caixa de ressonância máxima. A espessura influencia também porque se for Gross ela dará um som agudo e se for fininha ela soa grave. E o segredo do luthier, está em criar o leque harmônico que fica no tampo pelo lado interno do corpo”. Esse “leque” é composto por diversos sarrafinhos de madeiras colados em diversas direções que distribuem o som por todo o bojo do violão. A engenharia para explicar o funcionamento é basicamente 10 cordas, no caso da viola, presas em um “cavalete” e no braço. Puxando, fazendo força. Embaixo o leque estável distribui o som. Se não for bem feito o tampo estufa ou racha. É tudo encaixado, não tem prego e nem parafuso. Por isso é muito difícil desmonta-lo. Outro detalhe que se destaca nos trabalhos artesanais é a característica da madeira ser maciça, diferente das usadas nas linhas de produção de instrumentos de larga escala.
Para fazer um instrumento os irmão só trabalham quando o tempo esta seco. Ao todo leva-se 2 meses para ficar pronto. Usam 99% de madeira importada como o maple canadense mas o tampo tem que ser exclusivamente de abeto alemão,  por ser uma madeira leve, porosa, macia e principalmente vibrante. Como se trata de madeiras de primeira linha como cedro canadense, também utilizado, pode-se baratear usando madeiras brasileiras como a caxeta ou cedro vermelho basta ser macia e vibrante.

Orgulhosos do trabalho estar dado certo, eles exibem o primeiro violão

Os irmão Fontana são gratos ao maestro José Vitor, arranjador e compositor que desenvolve trabalhos em estúdios de gravação de São Paulo, produzindo artistas de renome do meio musical. José Vitor foi o maior divulgador dos instrumentos feito pelos irmãos. “Foi através dele que conhecemos a maior parte dos artistas como por exemplo, o cantor Daniel que já encomendou várias violas nossas, para presentear tanto José Vitor quanto amigos músicos”, relata os Fontana. “Conhecemos o José Vitor através de uma irmã dele que mora aqui em Artur Nogueira. Fizemos uma viola para ele e quem acabou comprando foi o Daniel, que inclusive nos ligou encomendando outra que foi parar nas mãos de Bruno e Marrone. Conhecemos também Gino e Geno e o Mazinho Quevedo. Aquela viola que ele se apresenta no festival “Viola de  todos os cantos” foi feita por nós. Mazinho também trouxe uma equipe de reportagem da Rede Globo aqui em casa para fazer uma matéria que já passou em diversas retransmissoras regionais da Globo, até no Mato Grosso”.


Viola Fontana
Os luthiers contam que cada cliente tem as suas exigências, às vezes trazem a madeira na mala, além dos modelos de sonhos imaginados. Pelos relatos um dos clientes que mais exigiu da dupla foi o Mazinho Quevedo, “ele exigiu principalmente na qualidade do som. A distancia que o som se propaga no “spectro sonoro com interface musical” (brincam). O tamanho da caixa, a largura do braço. Foi super criterioso. A viola que pediu, saiu até com as iniciais de sua assinatura. A escala é de madrepérola. Mas a principal característica dessa viola é a madeira usada; o sassafrás. Ela tem um cheiro característico e é usada para dar sabor nas cachaça. E dessa vez ela deixou a viola cheirosa”.

Orgulhosos do trabalho estar dando certo, eles exibem o primeiro violão (pesado como chumbo) feito por eles e agora estampa o autografo do sertanejo Daniel.



Matéria publicada originalmente na edição 35 Jornal Pires Rural, 20/02/2007-www.dospires.com.br]

Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

Mania de Viver

Hoje 10% da população brasileira é idosa. O comportamento do idoso mudou e o que foi nomeado como terceira idade. Para fazer juz ao título a pessoa que passou dos 65 anos de idade tem que produzir e acompanhar o que a vida moderna oferece para o “ idoso moderno” . Uma combinação considerada um tanto esquisita, como pode o idoso ser considerado moderno?
Até então a sociedade colocou o homem/mulher aposentado de lado, como se o tempo de vida útil estivesse condenado ao tempo de produção no mercado de trabalho e por outro lado os mesmos provaram para a sociedade jovem que é impossível produzir e continuar pertencendo ao mesmo ciclo de vida.
Para manter-se ativos, essa grande parcela da nossa população não perde a mania de viver-bem. Se manter ativo significa exercitar o corpo e a mente. Essas gerações que nos fizeram mudar o conceito de que o idoso conta histórias para as crianças e fica em casa assistindo tv na poltrona já caiu por terra.
Os idosos ainda sustentam muitas famílias, trabalham, estudam, priorizam o lazer e a cultura influenciando em muito as políticas públicas que cuidam doa direitos do idoso.
Com respeito a essa geração que muito tem nos ensinado ao longo dos tempos, estamos dando espaço para aqueles que tem MANIA DE VIVER.

Dona Luzia Delgado, 71, esposa, mãe, avó, nasceu na zona rural, estudou, fez supletivo, curso de enfermagem e hoje trabalha na banca de revistas da filha. Lê muito, conhece muitas  pessoas e mantém as amizades, nas horas vagas faz artesanato de crochê.
O fato dos filhos terem se casado e o marido trabalhar não convenceu D. Luzia ficar em casa, isolada. Foi trabalhar com a filha, acolhida pela família no negócio como alguém perfeitamente capaz de executar a função para a qual foi nomeada.

Dona Luzia Delgado, 71, esposa, mãe, avó, está diante de tantas atividades entre elas o mercado de trabalho

Suas atividades não param por ai, ela faz trabalhos de crochê, os mais diversos, desde que o médico recomendou que não costurasse mais. Desde então participou de feiras na região devido a alta produção.

Diante de tantas atividades D. Luzia acredita que se fosse organizada uma cooperativa no município daria oportunidade para outras pessoas que podem comercializar a sua produção de crochê e das demais pessoas que produzem artesanato.

Matéria publicada originalmente na edição 35 Jornal Pires Rural, 20/02/2007-www.dospires.com.br]

Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

Logo

Logo
Um Jornal a serviço da comunidade