Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

domingo, 11 de outubro de 2015

Evento reúne 12 Secretários de agricultura do Brasil



Coletiva de imprensa na reunião dos
12 secretários agrícolas do Brasil.

Durante a realização da 14° Agrishow, vários eventos aconteciam simultaneamente, pela grandiosidade da feira de exposição. Reunidos ali, a portas fechadas, para tratarem de assuntos de interesse mútuo e de nosso país, estavam os secretários de agricultura de Alagoas – Alexandre Toledo, Amapá – José Ribamar, Ceará – Camilo Santana, Espírito Santo – César Colnago, Goiás – Leonardo Veloso, Mato Grosso – Neldo Egon, Minas Gerais – Gilman Viana, Rio de Janeiro – Christiano Áureo, Sergipe – Paulo Viana, Tocantins – Roberto Jorge Sahium, São Paulo - João Sampaio e o presidente da Emater (Associação de Assistência técnica e Extensão rural) de Rondônia Sorrival de Lima representando o secretário Marco Antônio Petisco.
Os assuntos em pauta na reunião foram as campanhas para o combate contra a febre aftosa com recursos internos dos estados, o projeto de defesa sanitária para o Brasil e a liberação de recursos junto ao governo federal. Leia abaixo trechos da coletiva de imprensa concedida pelos secretários presentes;

Defesa Sanitária:
Como está a questão de orçamento proposto pela União para o cinturão sanitário e defesa de fronteiras?
João Sampaio: Até o momento nada foi aplicado. Os estados estão em plena campanha de vacinação contra a aftosa com esforços próprios, sem recursos federais. Os planos de controle de fronteira encaminhado por sete estados, a partir das duas últimas reuniões dos secretários e o ministro Reinhold Stephanes ainda não foi liberado nenhuma verba. Estamos preocupados e aqui propomos reiterar o orçamento proposto (R$ 265 milhões).

Na prática o que deve ser feito?
João Sampaio: Vamos usar a força de nossos governadores para reivindicar junto ao presidente Lula, ministro Reinhold e principalmente ao ministro da equipe econômica porque quem efetivamente irá liberar os recursos ao Ministério da Agricultura é o Ministério da Fazenda. Na abertura da Expo Zebu governadores e o presidente Lula estarão reunidos com a pauta do contingenciamento dos recursos federais a serem passados aos estados. Defesa sanitária é investimento e não despesa. Estamos investindo na geração de riqueza e empregos. Esse é o tema fundamental.
Gilman Viana (Minas Gerais): O Foco é de que defesa sanitária não é problema de agricultura. É um problema do País. O país que não tem defesa sanitária eficiente é um país que perde espaço no contexto mundial.

As verbas liberadas pelo governo do Mato Grosso do Sul foi pela razão de terem ido à Brasília?
João Sampaio: Isso tem sido feito, estamos continuamente pressionando. O caso do Mato Grosso do Sul foi uma situação emergencial e muito especifica. O projeto de defesa sanitária tem que ser muito mais amplo e não ficar ao sabor de emergências. É um projeto global para envolver o Brasil, todas as nossas fronteiras. Deve ser um projeto de estados e governo de ação contínua para erradicação da febre aftosa. Não adianta se imaginar que são necessários os 265 milhões para esse ano e o ano que vem não precisa. Tem que partir pra ação, sair da retórica, e liberar recursos. Todos que conversamos no governo federal são favoráveis, mas o fato é que os recursos não saem.
Alexandre Toledo (Alagoas): Essa é uma questão para todos e não de estado. É uma política nacional que se faz com recursos do orçamento que está lá em Brasília.
Christiano Áureo (Rio de Janeiro): A etapa de convencimento geral fica jogada para trás quando tem o corre-corre no caso de foco de aftosa e vão se liberar recursos.
João Sampaio: Não é a construção de uma ponte, é uma ação contínua que o estado tem que fazer. Se não tiver recursos financeiros não iremos ter continuidades de ações.



Agrishow; difusão de tecnologia na
cadeia produtiva do agronegócio.

Cana-de-açúcar:
Como São Paulo está trabalhando a questão das queimadas e a sustentabilidade do setor?
João Sampaio: A cana é extremamente importante para a economia paulista. Temos em nosso estado 24.900 milhões de hectares desses, 22 milhões são áreas agricultáveis. A cana ocupa 4.300 milhões representando 20% de área e correspondendo a 45% do total da renda agrícola do estado. Caso se concretize as previsões de crescimento o plantio será de 6 milhões de hectares, dentro de 4 anos. Não se configura uma monocultura, entretanto, se não tiver um controle ordenado haverá preocupação. O governo do estado tem agido para que a sustentabilidade trabalhada com parcerias com a secretaria de meio ambiente crie um protocolo sócio-ambiental com algumas regras a serem seguidas, como recomposição de mata ciliar e o fim gradual da queimada de cana. Queremos reduzir o prazo previsto em Lei que vai até 2031, para o fim das queimadas, mas é tão simples.



Secretário
João Sampaio

O que falta par antecipar esse prazo?
João Sampaio: Temos que considerar desde o espaçamento no plantio de cana até a demanda de máquinas colheitadeiras pelas indústrias. Falta terminar o dialogo com todos os setores envolvidos. Setor público, privado, trabalhadores, beneficiadores, produtores. A meta é chegar a um consenso neste mês de maio.

O que o governo paulista tem proposto junto aos institutos de pesquisas e universidades?
João Sampaio: Os trabalhos realizados pelos institutos de pesquisas estão expostos aqui na Agrishow como variedade de cana-de-açúcar que consome menos água, menos adubo. A revitalização dos colégios técnicos agrícolas é um ponto defendido e que será trabalhado pelo governo Serra. Na pequena propriedade estamos mostrando que pode ser viável a cana-de-açúcar com projetos como o açúcar mascavo que agregará valor ao pequeno agricultor.

Qual é a visão do senhor em relação ao que foi publicado no jornal Folha de S. Paulo dizendo que a vida útil de trabalho, dos cortadores de cana, ser inferior à dos escravos?
João Sampaio: Eu discordo completamente. Não é trabalho escravo, a secretaria não aceita, se houver irregularidades, elas tem que ser apuradas e coibidas. O trabalho é pesado na colheita de cana e nesse momento remunera mais do que a maioria de outros setores. O que precisa é encontrar um equilíbrio entre a remuneração condizente com o tipo de trabalho.
A cana é um dos poucos setores onde existe um conselho chamado Consecana que através de muita transparência o fornecedor sabe exatamente o que recebe como recebe e quando recebe mostrando o sucesso atual em que passa o setor.

Está previsto o remanejamento desses trabalhadores quando for implantado a mecanização na colheita de cana?
João Sampaio: Este é um desafio. Estamos discutindo como pode ser feito. O Senar e o Sebrae estão fazendo uma qualificação e re-qualificação desses trabalhadores em parceria com a secretaria de agricultura. Culturas alternativas, utilização de rebarba de cana, seringueira, ovinocultura, caprinocultura, fruticultura são todas culturas que absorverão mão-de-obra e remuneram de maneira condizente e estão sendo incentivadas pelo governo. Imaginamos que isso possa ser a substituição dos postos de trabalho do setor canavieiro.




Matéria publicada originalmente na edição 40 Jornal Pires Rural, 15/05/2007-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

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