Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

domingo, 11 de outubro de 2015

Viva Pires interdita escola rural do Bairro dos Pires

O laudo de interdição estava com a Defesa Civil há uma semana sem tomar providências sobre o risco de morte das crianças

A precariedade do prédio da E.M.E.I.F. Rural Martin Lutero, bairro dos Pires, Limeira levou os pais a pedirem um laudo para a Defesa Civil no mês passado. Com dificuldades em ter acesso ao documento, recorreram, então, ao Conselho Tutelar e ao Conselho Municipal da Criança e do Adolescente em Limeira (CMDCA).
No dia 25 de abril, o CMDCA entregou para a comissão de pais do bairro, a cópia, do laudo assinado pelo engenheiro civil Nercy dos Reis Custódio (CREA: 38494/D). O laudo conclui INTERDIÇÃO. No documento consta ainda a assinatura do agente da defesa civil do município, Aparecido dos Santos, datado de dia 19 de abril de 2007 (quando protocolou o documento). A Defesa Civil de Limeira estava com o documento há uma semana e não cumpriu o seu papel. Foi necessário a Comissão de pais ir até a escola com o laudo nas mãos e a imprensa televisiva para que a secretaria da Educação retirasse as crianças. A Secretaria da Educação já sabia do resultado do laudo desde a manhã do dia 25 de abril, porque a Conselheira Josiela ( funcionária pública) comunicou à secretaria (a mesma acompanhou o depoimento da Comissão em reunião do CMDCA no dia 24 de abril).  
O laudo é claro quando relata que “ o imóvel fica, portanto, INTERDITADO, com base no disposto na letra A do artigo 5.1.3 da lei municipal nº 1096/69 de 12 de janeiro de 1969. Em razão da INTERDIÇÃO, ora efetuada, O PROPRIETÁRIO DESTE IMÓVEL FICA PROIBIDO DE UTILIZAR O IMÓVEL EM QUESTÃO PARA QUAISQUER FINS, PARA SI OU PARA TERCEIROS, ESTANDO CIENTE DE SUA RESPONSABILIDADE EM CASO DE ACIDENTES, MORTES OU DANOS PROVOCADOS PELOS RISCOS QUE DERAM CAUSAS À PRESENTE INTERDIÇÃO, ATÉ QUE SEJAM SANADAS AS IRREGULARIDADES EXISTENTES”, descreve o documento.
 Com o laudo em mãos, a comissão de pais juntamente com a imprensa televisiva foi para a escola pedir a interdição já que a DEFESA CIVIL NÃO INTERDITOU desde que recebeu o laudo no dia 19 de abril. As crianças permaneciam nas salas. As professoras trancaram o portão, se fecharam dentro das salas de aula e, aparentemente confusas, sem a presença da diretora e autoridade daquela unidade escolar, Ivana Forster, nem mesmo a vice-diretora estava presente para “enfrentar” e esclarecer a grave situação que o documento ainda cita “...que o imóvel está com várias vigas de madeira da estrutura de sustentação do telhado, em processo de deterioração, havendo risco de queda...” prova o risco eminente que aquelas crianças estavam sujeitas.


PAUSA -
Rede Família e TV Mix entrevistando as professoras.

Questionadas pela situação as professoras Edilene e Diná, disseram que desconheciam a gravidade e o risco que todas elas corriam em permanecer no local. “Eu acho que só com um terremoto o prédio cairia”, falou Diná. Após essa e outras desencontradas declarações voltaram para a sala de aula e com as portas fechadas, os alunos dentro do prédio condenado ficaram com o portão trancado até o encerramento do período às 17:15h.
No dia seguinte, 26 de abril, os alunos da manhã foram levados de ônibus (cedido pela Secretaria da Educação)  para a escola Arlindo de Salvo no jardim Palmeiras, área urbana da cidade.

O bairro dos Pires precisa de qualidade no atendimento das políticas públicas. É um bairro muito populoso e até a presente data a comunidade local não conseguia  impor suas necessidades. A distância que separa o bairro do endereço da Prefeitura de Limeira é de apenas 15 km. Estamos localizados no Estado mais rico do Brasil, rodeados pelas rodovias mais competentes, Anhanguera e Bandeirantes, e numa das mais produtivas regiões agrícolas e industriais do país.
O Viva Pires está formado por várias comissões de moradores e donos de chácaras. A comissão de pais conseguiu a adesão de mais de 15 Associações de condomínios presentes no bairro dos Pires, no sentido de priorizar e garantir a qualidade de vida para as crianças do bairro e tornar os moradores cúmplices em seu cuidado.
Segundo Adriana Menconi, psicóloga, moradora do bairro, coordenadora das Comissões do Viva Pires, a ausência da direção escolar para dar suporte e liderar a equipe da escola no momento em que estava sendo comprovado em público que as crianças sofrem risco de morte, nos faz questionar como pais se a gestão está compatível com a realidade que aquela escola vive. No dia 26 de abril pela manhã, a diretora não tinha tido acesso ao laudo, a Comissão cedeu o laudo para leitura porque a mesma ainda questionava a resistência da estrutura do prédio. Quando questionada pelo radialista da MIX se o laudo não chegasse até à escola pelas mãos da Comissão de Pais as aulas estariam normais, a mesma responde “ sim, porque a Defesa Civil não interditou o prédio até o presente momento”, afirma a diretora ao programa de rádio da MIX ( transmissão ao vivo).    
Para o Viva Pires uma escola precisa demonstrar líderes com espírito e poder de liderança, que consigam demonstrar resultados com as crianças e para os pais. “ É importante os pais saberem que declarações de pessoas do bairro (em jornais do município) afirmam que “a retirada das crianças foi precipitada e que o prédio duraria mais tempo”. Hoje assistimos escolas serem “lideradas” pelo tráfico e não queremos que isso aconteça por  “abandono” desta escola só porque está situada na área rural. A comunidade, quando elege um líder, precisa exigir que o mesmo saiba o que está acontecendo com as crianças da comunidade local, o risco de morte para as crianças é público. Assumir uma responsabilidade perante uma comunidade inteira é coisa séria. Por isso surgiu o Viva Pires e conta com idoneidade dos órgãos que representam a criança e o adolescente no município ”, coloca Adriana.

Moradora do bairro dos Pires revela que a falta de cursos profissionalizantes para os adolescentes, tem deixado ociosos e que o ponto de encontro (para lazer) deles é o bar.
 Tânia Tavares, comerciante, moradora do condomínio Rancho Alegre, bairro dos Pires revela que o local mantém muitas famílias carentes. “ Tem famílias aqui que são tão carentes que as crianças convivem com fossas (negras) e poços (caseiros) abertos porque não têm recursos para custear o fechamento”, revela Tânia.

“ As crianças não têm lazer, nem aprendem nada que possa dar um futuro pra elas (além da educação escolar), como esportes. Os meninos são loucos por aprender a jogar futebol profissionalmente, mas não temos nem um campo de futebol; para eles brincarem, então, eles se reúnem no boteco. Os adolescentes, que são mais de trinta (idade de 16 a 18 anos), também não estão aprendendo nada ( que possa garantir empregos), porque aqui nos Pires eles não têm os cursos que oferecem lá na cidade. E os daqui também merecem ser atendidos” afirma Tânia. 




Matéria publicada originalmente na edição 39 Jornal Pires Rural, 30/04/2007-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

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