Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Técnica artesanal no plantio de mudas




Vivendo e aprendendo é o lema de muitos, principalmente na área agrícola. Aqui no bairro dos Pires constatamos isso na produção de mudas de árvores do Sr. Mário Meneguetti, que nasceu no bairro e sempre trabalhou em contato com a terra. Em seu viveiro de mudas, encontramos mais de 80 espécies como Guarantãs, Cabriúva, Imbaúba e Cedro, só para citar árvores que são consideradas madeiras de lei. O aprendizado para a produção dessas mudas Sr. Mário foi amigo do tempo e da paciência. “No começo eu não sabia muito, aí descobria uma coisa aqui iam me dizendo outra ali, fui experimentando. Com o Jequitibá, quando germina,  temos que ajudá-lo a nascer, praticamente”. Sr. Mário costuma ir a matas fechadas atrás de sementes por onde passa vai memorizando as espécies do lugar e depois volta buscá-las. O conhecimento medicinal de algumas espécies também veio com os anos. Por exemplo, ele cita a Flor de Abril, segundo ele, o fruto ajuda no alívio de dores musculares e mau jeito e a Guaçatonga ele usa “para fazer remédio”. Muitas pessoas já lhe aconselharam a montar um viveiro só com plantas medicinais, mas conta que, hoje em dia, “pouca gente sabe fazer um chá. Imagina ter a paciência de fazer remédios com plantas, que dão trabalho. Depois vão me culpar se algo der errado”.
Existem, em seu viveiro, algumas plantas que atraem muitos pássaros, como a Amoreira Preta, ele conta que, “o Sabiá adora, sai a maior briga quando ela esta carregada de frutas. Ela tem uma semente muito melindrosa, se não colher e semear em três dias perde tudo”, garante. Outras espécies que os pássaros gostam é o Jambinho, Aroeira Pimenteira, Aroeira Salsa e Preta, além da Cereja do Rio Grande e o Jacateá, uma espécie de mamão do mato.
Para fazer as mudas, Sr. Mário usa embalagens de “longa vida”, reciclado, e saquinhos plásticos para semeadura que preenche com terra, esterco e calcário. “Com esse tempo seco tem que molhar todo dia. Mesmo tendo 70% de telado acontece de queimar algumas já semeadas”, relata. Além de espécies de árvores ornamentais, frutíferas e madeira de lei, Sr. Mário cultiva algumas flores que são cheias de segredos para conseguir brotação “teve uma espécie que me deu o maior trabalho. Acordei uma hora da manhã, coloquei as estacas todas do mesmo tamanho numa solução, pra ali ficarem 8 horas, e quando foi nove da manhã fui plantando nos saquinhos que tinha enchido um dia antes. Agora elas estão começando a brotar. O ano passado eu plantei 380 mudas sem saber como era. Aí só vingou umas 30 e, dessas trinta, eu só tenho uma. Às vezes vamos fazendo testes, pra ver o que dá certo. Tem planta que não quero mais como a Aroeira Pimenteira, ela me dá alergia, e tem outras que me encantam como a Flor da China e outras que nem sei o nome. Por exemplo, essa aqui minha filha tava caminhando achou diferente e me trouxe, até agora ninguém sabe dizer o que é”.

Entre seus clientes estão amantes da natureza, renomados paisagistas que fazem projetos em diversos países como Japão e França, proprietários de chácaras, biólogos e agrônomos que trabalham em projetos de reflorestamento pelo Brasil.



Matéria publicada originalmente na edição 49 Jornal Pires Rural, 31/08/2007-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. 
Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

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