Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Laranjas de Polpa Vermelha e Sanguíneas




Nem só de Greening vive a citricultura paulista. É preciso mostrar que existem outras novidades acontecendo. Uma delas é o recém-lançado projeto de pesquisa, coordenado por Rodrigo Rocha Latado engenheiro agrônomo e pesquisador do Centro de Citricultura (Centro APTA Citros Sylvio Moreira/IAC), que estuda laranjas de polpa sanguíneas e vermelhas desde sua qualidade agronômica, nutricional, produção de fruta, suco e seu potencial de mercado.
Para melhor compreender a razão desse estudo conversamos com o autor desse estudo que nos explicou como foi sua pesquisa iniciada pela curiosidade quando esteve na Itália. Assim ele nos conta, “Quando estive em um congresso na Itália, me deparei com cartazes nos comércios divulgando laranjas com polpa de tons fortes de vermelho, as chamadas laranja sanguíneas. Até então, eu nunca tinha visto essa variedade. Foi aí que minha curiosidade aumentou e virou objeto de pesquisa”.
Rodrigo explica que não se desenvolve variedades de laranjas, porque não se consegue cruzamento, as diferentes laranjas vão surgindo através de mutações. Rodrigo disse que essa variedade de laranjas só existe lá pelo clima frio propicio para elas. “O clima no mediterrâneo é quente no verão e frio no inverno. Pode ser que a centenas de anos apareceu essa espécie e alguém foi reproduzindo. A coloração da polpa dessas laranjas é “roxo vinho”, bem escuro”, contou.

Trabalho de campo
“Quando voltei ao Brasil”, conta Rodrigo, “fui consultar as espécies de laranjas italianas do BAG (Banco Ativo de Germoplasma) do Centro de Citricultura, e encontrei espécies sanguíneas e de polpa vermelha, que estão aqui há quase 40 anos. Só que existem dois fatores um deles é que elas ainda não têm uso comercial e outro, elas não apresentam a mesma coloração de polpa como as cultivadas na Itália. E o objetivo do estudo é torná-las comercialmente viáveis aqui no Brasil”.
Pesquisando artigos e analisando as frutas Rodrigo descobriu trabalhos que diziam que era possível completar o número de horas de “frio” para a laranja mudar a coloração da polpa. “Como a única tentativa de cultivo com essas variedades foi feita em Campos do Jordão (SP), uma região muito fria, não deu certo. Imaginei então, cultivá-las em uma região quente, colher o fruto e mantê-lo em câmeras frias o tempo de horas/dias necessárias para a coloração da polpa ficar roxo avermelhado e pronta para abastecer o mercado com uma nova variedade”, explicou o pesquisador.
Desde 2005, Rodrigo vem trabalhando nessa pesquisa e as variedades que apresentaram melhores resultados ele formou quatro pomares pelo estado de São Paulo para avaliar o comportamento delas no campo. “O resultado da coloração das frutas cultivadas aqui no estado está excelente. A minha idéia é poder colocá-las no mercado, assim como na Europa existe o suco de laranja sanguínea, teremos a opção das brasileiras”, disse.

Qualidades nutricionais
A laranja é conhecida como uma importante fonte de vitamina C para a alimentação humana. As laranjas sanguíneas podem ser descritas como fonte de antocianinas na polpa e no suco da fruta. As antocianinas têm grande importância na dieta humana, pois participam na constituição de cores e sabores dos alimentos e podem ser consideradas também como agentes terapêuticos. As laranjas de polpa vermelha contêm alguns dos principais carotenóides, o licopeno e os carotenos, esses apresentam funções nutricionais e medicinais, sendo que o licopeno aparece atualmente como um dos mais potentes agentes antioxidantes naturais, sendo sugerido na prevenção de carcinogênese e aterogênese, devido a sua capacidade de proteger moléculas, inclusive o DNA, da ação de radicais livres.



Cadeia citrícola
A agroindústria do setor já tem conhecimento da pesquisa de Rodrigo e baseado em dados de sua tese, expomos aqui alguns números desse mercado; Com grande parte de sua produção voltada ao mercado externo, a cadeia citrícola traz anualmente mais de US$ 1,5 bilhão em divisas para o Brasil, sendo um dos principais produtos na balança das exportações. A agroindústria brasileira detém a liderança mundial na produção de laranjas, de suco de laranja concentrado congelado (SLCC) e de suco de laranja NFC (Not from concentrated), representado mais de 80% das exportações mundiais de suco.
Segundo os dados da Secex, anualmente o Brasil tem aumentado os volumes exportados de suco de laranja NFC (Not from concentrated), resultando também em maiores receitas. Numa análise do país verifica-se que o Estado de São Paulo é o maior produtor brasileiro de laranjas com 80% da produção, seguido de Bahia (4%), Sergipe (4%) e Minas Gerais (3%).

Consumo do Brasil

Um dos principais problemas da cadeia comercial da laranja brasileira é o baixo consumo no mercado interno de frutos e do suco in natura. No ano de 2002, por exemplo, apenas 17% do total de frutos produzidos foram comercializados no mercado interno. A agroindústria brasileira tem grande interesse na seleção e lançamento de novas variedades de laranja doce que tenham aptidão para o consumo como fruta de mesa e/ou para a produção de suco NFC. O que resultaria também numa maior diversificação de variedades para a citricultura Brasileira. Dentro desse quadro se encaixa perfeitamente o projeto de pesquisa de Rodrigo Latado: “A qualidade de frutos e de Suco de Laranjas de Polpa Vermelha e Sanguíneas”.

Matéria publicada originalmente na edição 70 Jornal Pires Rural, 15/11/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CORAL ALEMÃO DO BAIRRO DOS PIRES BREVE HISTÓRICO:





            Com o surgimento e execução da 1ª Festa Alemã do Bairro dos Pires no ano de 2000, surgiu também a idéia da formação de um “Coral Folclórico Alemão”. Prontificou-se para realizar este trabalho o Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, da Congregação Cristo, do Bairro dos Pires, Osmar Schneider. Entre os valiosos objetivos para o mesmo, citamos o de resgatar as raízes culturais e folclóricas de nossos antepassados alemães, especialmente no que diz respeito à música e trajes típicos festivos, bem como o de colaborar com o abrilhantamento da Festa Alemã. Como praticamente ninguém falava mais a língua alemã, o coral formou-se a partir de pessoas voluntárias em geral que, juntamente com o pastor Osmar e o auxílio de sua esposa Naemi e algumas pessoas esporadicamente, se dedicaram a soletrar e aprender pacientemente as letras e pronúncias da língua, bem como o seu significado em português. Assim, em todas as oito Festas Alemãs já realizadas, o Coral participou com grande alegria e dedicação. Por ele já passaram diversas pessoas queridas às quais agradecemos e, para sua continuidade e crescimento, convidamos e contamos com a colaboração de todas as pessoas que tiverem uma voz afinada para canto e coral. O mesmo não tem nenhum vínculo com igreja ou religião, por ser apenas folclórico. Seus ensaios normalmente acontecem todos os anos a partir de setembro até a Festa Alemã, atualmente nas dependências da Chácara Avena, gentilmente cedida por seu proprietário e componente do coral, Lineu Gustavo Jürgensen. Consideramos este Coral um instrumento culturalmente valiosíssimo e convidamos para que, em setembro de 2009, muitas pessoas entrem em contato conosco pelo telefone 34423662 e se inscrevam para com ele colaborar. Agradecemos imensamente também ao Jornal Pires Rural por este apoio e divulgação. Pastor Osmar Schneider.

Matéria publicada originalmente na edição 69 Jornal Pires Rural, 30/10/2008-www.dospires.com.br]
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Vídeo documentário “Mãe-Nhãs” é apresentado em Limeira e região:




O vídeo documentário “Mãe-Nhãs” é uma produção do publicitário Marcel Menconi para a 1ª Homenagem à Mulher Rural de Limeira, em março de 2008. O vídeo foi realizado em parceria com a Ong Viva Pires e Jornal Pires Rural e está sendo exibido em diversos locais. A produção retrata a realidade e rotina de três produtoras rurais, Zelinda Costa Ferreira, bairro dos Lopes, Dulce Teztner, Vera Lúcia Stein Bürger, bairro dos Frades, todas pecuaristas de gado de leite. Mulheres empreendedoras que dedicam uma jornada de mais de 11hs de trabalho, diariamente, para complementar o orçamento familiar.
Desde o início do último semestre as apresentações vêm acontecendo em Limeira e região em locais como casa da agricultura, escolas técnicas e faculdades. Para surpresa do público e do elenco “Mãe-Nhãs”, está sendo revelado um total desconhecimento por parte dos jovens quanto a realidade da área rural de Limeira. A área rural de Limeira é totalmente inexistente para o cidadão urbano, se restringindo apenas a lembranças associadas à festividades em datas anuais e esquecidas ao longo do ano. Trata-se de uma alienação, o fato de a população negar que a área rural de Limeira contribui para a arrecadação do município e, a agricultura familiar é responsável por 70% da produção de alimentos do país. É motivador para o elenco “Mãe-Nhãs”, Jornal Pires Rural e Ong Viva Pires o investimento para a cultura e desenvolvimento local na valorização da mulher e o que ela representa para a economia da família limeirense.

O resultado das apresentações tem proporcionado grandes parcerias entre a Ong Viva Pires e instituições renomadas do município, com o objetivo de proporcionar e suprir serviços, dos quais a área rural da região mais rica do Brasil, ainda é totalmente desprovida. Para Marcel Menconi o trabalho de lapidar as cenas capturadas, dar seqüência ao enredo do filme retratando o dia-a-dia na agricultura, foram momentos reveladores quanto ao precioso trabalho realizado com dedicação, por cada uma das mulheres. “A idéia surgiu, quando a minha esposa Adriana Fonsaca, pensou que alguém tinha que homenagear as mulheres da área rural e o papel que ela representa na sociedade, sabíamos que estava oculto. Resolvemos, então, exibir e valorizar essa realidade. Foi motivante fazer esse vídeo documentário, retratar a rotina, os valores, o papel da família e o poder que as mulheres têm para entrelaçar e envolver desde o trato com os animais, o preparo dos alimentos e o cuidado e carinho com os familiares”, declarou.

Matéria publicada originalmente na edição 69 Jornal Pires Rural, 30/10/2008-www.dospires.com.br]
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Dia da laranja traz novidade promissoras para pomares paulistas:




Na programação do 8º dia da laranja foram debatidos os temas sobre fertilizantes, benefícios do suco de laranja para a saúde e novas variedades de laranjas pigmentadas.
Realizado dia 10 de outubro, no Centro de Citricultura em Cordeirópolis, o evento trouxe, aos poucos presentes, as perspectivas do mercado de fertilizante diante do aumento significativo de preços e como isso afeta a citricultura, tendo como resposta o uso eficiente de fertilizantes. Segundo o agrônomo e pesquisador do Centro, Dr. Dirceu de Mattos, “as pesquisas com fertilizantes tem evoluído com as parcerias e investimentos em projetos. Um exemplo disso são os fertilizantes nitrogenados que, com as respostas das plantas, folhas e analises de solo estamos ajustando algumas calibrações e logo teremos recomendações aos citricultores”, disse.

Objetivo principal
No relato do Dr. Dirceu “o objetivo principal do Centro de Citricultura é garantir a produtividade e qualidade dos citros. Por isso a necessidade de realizar eventos como esse, para conseguir levar as informações para aqueles que estão na linha de frente do setor produtivo como técnicos, produtores e consultores”.

Novidades

A grande novidade desse 8º evento ficou por conta das variedades de laranjas pigmentadas que são espécies de gomos com coloração variante entre alaranjada conhecida até um vermelho quase bordô. Os sabores também são diferenciados sendo a de cor mais avermelhada de gosto mais doce e as de tom amarelo mais suaves porém mais suculentas. As laranjas pigmentadas são espécies promissoras para os pomares paulistas e, de acordo com Dr. Dirceu o Centro APTA Citros – Sylvio Moreira é uma área considerada “antes da porteira” porém o consumidor passou a ser objeto de estudo na pesquisa dessa variedade. “Não é nossa função direta mas é uma responsabilidade de buscar a cadeia como um todo”, concluiu.

Matéria publicada originalmente na edição 69 Jornal Pires Rural, 30/10/2008-www.dospires.com.br]
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Alunos da escola Martim Lutero apresentam projeto:




Os alunos da 4º serie da EMEIEF Rural Martim Lutero, bairro dos Pires, apresentaram no mês de outubro, o lançamento do projeto chamado “Para salvar o planeta” aos pais, alunos, e funcionários da escola.
O objetivo é enviar para a reciclagem o lixo da escola, do bairro e das residências dos alunos. Pra isso foram doados a escola, por uma empresa privada,  latões para a colocação correta do lixo. Também tem como objetivo, conscientizar os pais sobre o lixo jogado na beira dos rios, dos acostamentos, etc.
A professora da classe, Diná Dibbern Fischer explicou a diferença entre lixão e aterro sanitário, sobre o que é lixo, o que pode ser reciclado, os impactos do lixo e a contaminação do chorume no solo.
Após isso, os alunos apresentaram uma música da “Turma da Mônica”, que fala sobre a importância de se reciclar e, distribuíram aos presentes um porta-lixo para ser colocado nos automóveis, evitando assim que seus ocupantes joguem qualquer lixo pela janela do carro.

Texto produzido pelo aluno Minoru de Oliveira Oki


Matéria publicada originalmente na edição 69 Jornal Pires Rural, 30/10/2008-www.dospires.com.br]
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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Vidraçaria Líder, há 30 anos no mercado




O Comercio de Vidros Lüders está comemorando neste mês de agosto, 30 anos de existência, na cidade de Limeira.
Tudo começou graças ao empreendedorismo de João Henriquen Lüders (fundador), que idealizou uma microempresa justa e que pudesse satisfazer com qualidade, as necessidades comerciais dos consumidores e comerciantes em geral.
A todos os comerciantes e consumidores que compartilham direta ou indiretamente para o nosso crescimento e sucesso o nosso muito obrigado!!

Comércio de Vidros Lüders – Vidraçaria Lider

Matéria publicada originalmente na edição 66 Jornal Pires Rural, 15/08/2008-www.dospires.com.br]
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Bairro Campos Salles


Alcides Rolfsen

Fomos até o bairro Campos Salles em Cosmópolis visitar os produtores rurais Alcides Rolfsen e Karl Kadow para ouvirmos um pouco de história local e a trajetória de luta pelo desenvolvimento rural local. O bairro Campos Salles tem uma história peculiar, surgiu praticamente com a cidade, com a família Nogueira e sofreu seus tempos de glória com a estrada de ferro Funilense/Sorocabana. Na época, a instalação da Usina Ester, com tantos empreendimentos para a época final de 1800,o município recebeu do governo do estado um modelo de “reforma agrária”, o qual consistia na venda de áreas de 5 a 7 alqueires (localizados próximo á estrada de ferro) para produtores rurais e o que é mais inusitado, um centro técnico (chamado campo de experiências) para dar “assessoria” para os produtores rurais, filhos de europeus recém chegados na cidade.
Muitos descendentes de europeus não se adaptaram às condições da cidade, aqueles que permaneceram construíram a escola, o salão de festas. Segundo o produtor rural Karl Kadow, as famílias luteranas freqüentavam a igreja de Confissão Luterana no bairro dos Pires em Limeira. “A certidão de batismo da minha tia é da igreja dos Pires”, conta Karl.
O bairro foi grande produtor de cana-de-açúcar até passar por crise no setor até a década de 70. “Meu avô cultivava cana-de-açúcar pelo sistema de quotas, os produtores realizavam o corte e até transportavam toda a produção para a usina. Até um certo ponto, quando começou a crise com o sistema das grandes indústrias na agricultura (agronegócio) ditarem os preços da produção”, conta Acides .
Depois da crise do preço da cana-de-açúcar, os produtores do bairro começaram a diversificar as produções de novas culturas como o algodão. “Na época, a empresa Teka investiu numa unidade na região e era muito prático o escoamento da produção. Hoje não temos produtores de algodão no município”, conta Alcides.
“A produção de cana-de-açúcar foi tão importante para o bairro que em 1955, fundaram a Associação dos produtores de cana-de-açúcar e meu pai, Bruno Alberto Kadow foi um dos presidentes da Associação”, conta Karl.
Embora o modelo de “reforma agrária” da época fosse um negócio muito bom para os produtores rurais, alguns daqueles que adquiriram terras não conseguiram quitar suas prestações e precisaram vender suas terras.
O produtor Karl vive basicamente da produção de hortaliças, milho, laranja e caqui comercializados na feira livre do município.”Cultivar caqui é uma tradição da minha família que me acompanha desde o meu avô, que, quando adquiriu terras em Cosmópolis começou sua produção com frutas como uvas, laranjas” conta Karl.
O produtor Alcides produz laranja e goiaba e mantém um comércio.
Com tamanha tradição agrícola o município conta com 230 propriedades rurais e com o tempo passando e as dificuldades do setor acompanhando os produtores. Em 2004, os mesmos foram incentivados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas- SEBRAE através de um projeto do Sistema Agroindustrial Integrado- SAI.
“Através de um curso de capacitação, e um técnico para trabalhar conosco, formamos a Associação dos Produtores Rurais com o objetivo de comprarmos e vendermos em conjunto, com 30 produtores”, lembra Alcides.
Mas a formação da Associação não aceleraria a produção, tampouco supriria todas a necessidades dos associados. O município havia rompido convênio com o Estado e portanto não dispunha dos serviços da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral –Cati. “Ficamos na pendência da Casa da Agricultura e nos encontramos na mesma situação, sem um impulso para projetos, estamos lutando há quatro anos para que o município entregue a reforma do prédio porque o convênio já foi assinado e publicado no diário oficial”, afirma Alcides.
Para o produtor Karl, a assistência da Cati para o produtor rural familiar faz muita falta, principalmente nos momentos de dificuldades econômicas. “Eu senti falta da Cati quando eu estava passando por dificuldades financeiras e precisava do Pronaf , eu precisava do laudo para anexar ao pedido de financiamento, então me orientaram procurar a Cati de Artur Nogueira porque é o acesso que temos nas dificuldades e sempre somos atendidos, mas naquele pedido foi difícil. Nessa oportunidade eu tive o primeiro contato com o Escritório de Desenvolvimento Rural de Mogi Mirim e, por telefone eles me orientaram para conversar com o prefeito de Cosmópolis para resolver o problema, eu tentava, sem sucesso”, desabafa Karl.

Quando falam em planos para o futuro depois das conquistas de formar o Conselho, a Associação, conquistar a formalização do convênio com o Estado e esperar pela entrega do prédio, o futuro ainda parece muito distante, uma luta árdua de organização, encaminhamentos com mais acertos do que erros parece ter desgastado o sonho e a comemoração das conquistas. A única frase que vem à boca de Alcides e Karl é “Vamos esperar a abertura da Casa da Agricultura para fazermos planos próximos da realidade”.

Matéria publicada originalmente na edição 66 Jornal Pires Rural, 15/08/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O BRASIL QUE DÁ CERTO




A Cooperativa Agrícola dos Pequenos Produtores Rurais Agrícolas, Cooperplantas, em Holambra, produtora de flores (vaso e corte) foi formada há seis anos para comercialização da produção dos pequenos produtores da região de Holambra, atendendo um raio de até 100 km de distância. Formada por 76 cooperados, conta com uma  equipe de 12 funcionários, atende numa área de 20.000m com uma estrutura construída de 2.000m, expediente de 2ª a 2ª e apresenta inadimplência R$ 0,00.
A iniciativa de formar uma cooperativa veio da experiência de um grupo de uma Associação de pequenos produtores de plantas que estavam passando por alguns problemas, como inadimplência por parte dos clientes (emitiam guias,notas, faziam cobranças e não conseguiam protestar os títulos) e também a perda de associados. Os associados pagavam luva para se associar e o pequeno produtor tinha dificuldades para associar-se.“Na época da Associação, enfrentávamos dificuldades como fazer a venda da produção no próprio sítio (incluindo carregamento), não conseguíamos avaliar novos clientes, a inadimplência foi aumentando e trazendo sérias conseqüências para os associados, que, desmotivados com a situação, foram se desligando”, conta Osmar Cândido Alves, presidente da Cooperplantas.
Diante das dificuldades, o pequeno grupo que resistiu na Associação resolveu formar a Cooperplantas com o objetivo de comercializar a produção num só local com eficiência e qualidade nos serviços prestados. Chegaram à conclusão, também, de que não é necessário o pagamento de luva por parte do produtor na admissão como cooperado e sim critérios na avaliação, porque o capital é baixo e o que conta é o capital social. “O cooperativismo é muito interessante para o produtor no sentido de diluir custos. O resultado é muito mais eficiente. Nós temos um diferencial; aqui o cliente não é um número, tampouco o produtor; cada um recebe o atendimento com respeito à pessoa” afirma  Francisco Antonio Maria Weijenborg, vice- presidente da Cooperplantas.
Para viabilizar as empresas cooperativas, são necessárias algumas condições internas, que são também diferenciadores da empresa capitalista, como ter uma grupo social coeso, tanto econômica como socialmente, com objetivos comuns, que podem transformar o capital excedente em capital cooperativo. O capital cooperativo difere do capital industrial, financeiro e agrário, ou seja, a sua mobilização não irá requerer no final do processo um capital maior do que foi inicialmente aplicado. O resultado desse processo será o benefício que o associado recebeu, ou a prestação de serviços que a cooperativa forneceu. O capital cooperativo só será possível devido à existência da empresa cooperativa, cujo objetivo não é o lucro, pois não tem sentido aplicar capital na cooperativa para receber dividendos, ou um capital a mais; daí a figura do empresário cooperativo.
A Cooperplantas não recebeu incentivo ou parceria no início do trabalho, o apoio é dos cooperados. “Infelizmente não houve formalização de parcerias, porque as parceria são muito bem vindas para uma cooperativa que está investindo. Nós fizemos um investimento de R$ 500.000,00. Trata-se de um investimento muito alto, o poder público pode e deve incentivar o cooperativismo com parcerias de ceder espaço para a realização do trabalho”, afirma Osmar Cândido Alves, presidente.
As vendas da Cooperplantas vêm crescendo consideravelmente a cada ano, o parâmetro para comparação é o dia das mães, e neste ano, o crescimento foi de 15% comparado a mesma data do ano anterior. Já em volume, o crescimento foi de 12%. Segundo Carlos Alberto de Oliveira, gerente comercial, os clientes da Cooperplantas variam muito, mas o mercado atacadista é o responsável pela grande porcentagem das vendas. O sucesso desses números se dá pela gestão baseada na seriedade, responsabilidade, voltada para o interesse coletivo para atender a necessidade   de todos com orientação para a qualidade da produção. 70% dos cooperados estão na região bem próximo a Holambra.
“ A Cooperplantas trabalha com uma projeção anual de crescimento na margem de 15%  de vendas, temos investimento para aumentarmos as vendas em 30%, mas nos falta produção”, afirma Osmar Cândido Alves, presidente.
O aumento na variedade de itens ocorre quando surge o lançamento de uma nova variedade de uma planta já comercializada, mediante avaliação dos produtores.

Para o presidente da Cooperplantas, o cooperativismo vale a pena e pode favorecer o produtor, mas o mesmo não dispõe de informações e motivação por parte das instituições para que o setor produtivo seja impulsionado pelo cooperativismo. O que acontece em Holambra é uma realidade completamente diferenciada, pois o cooperativismo tomou conta do mercado local. É comum em vários setores como cooperativa de crédito, cooperativa dos engenheiros, cooperativa de condônimos. “Aqui em Holambra o cooperativismo faz parte da cultura da cidade; uma conversa de amigos é o suficiente para formar um nova cooperativa”, afirma. 


Matéria publicada originalmente na edição 63 Jornal Pires Rural, 31/05/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então… 

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