Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Bairro Campos Salles


Alcides Rolfsen

Fomos até o bairro Campos Salles em Cosmópolis visitar os produtores rurais Alcides Rolfsen e Karl Kadow para ouvirmos um pouco de história local e a trajetória de luta pelo desenvolvimento rural local. O bairro Campos Salles tem uma história peculiar, surgiu praticamente com a cidade, com a família Nogueira e sofreu seus tempos de glória com a estrada de ferro Funilense/Sorocabana. Na época, a instalação da Usina Ester, com tantos empreendimentos para a época final de 1800,o município recebeu do governo do estado um modelo de “reforma agrária”, o qual consistia na venda de áreas de 5 a 7 alqueires (localizados próximo á estrada de ferro) para produtores rurais e o que é mais inusitado, um centro técnico (chamado campo de experiências) para dar “assessoria” para os produtores rurais, filhos de europeus recém chegados na cidade.
Muitos descendentes de europeus não se adaptaram às condições da cidade, aqueles que permaneceram construíram a escola, o salão de festas. Segundo o produtor rural Karl Kadow, as famílias luteranas freqüentavam a igreja de Confissão Luterana no bairro dos Pires em Limeira. “A certidão de batismo da minha tia é da igreja dos Pires”, conta Karl.
O bairro foi grande produtor de cana-de-açúcar até passar por crise no setor até a década de 70. “Meu avô cultivava cana-de-açúcar pelo sistema de quotas, os produtores realizavam o corte e até transportavam toda a produção para a usina. Até um certo ponto, quando começou a crise com o sistema das grandes indústrias na agricultura (agronegócio) ditarem os preços da produção”, conta Acides .
Depois da crise do preço da cana-de-açúcar, os produtores do bairro começaram a diversificar as produções de novas culturas como o algodão. “Na época, a empresa Teka investiu numa unidade na região e era muito prático o escoamento da produção. Hoje não temos produtores de algodão no município”, conta Alcides.
“A produção de cana-de-açúcar foi tão importante para o bairro que em 1955, fundaram a Associação dos produtores de cana-de-açúcar e meu pai, Bruno Alberto Kadow foi um dos presidentes da Associação”, conta Karl.
Embora o modelo de “reforma agrária” da época fosse um negócio muito bom para os produtores rurais, alguns daqueles que adquiriram terras não conseguiram quitar suas prestações e precisaram vender suas terras.
O produtor Karl vive basicamente da produção de hortaliças, milho, laranja e caqui comercializados na feira livre do município.”Cultivar caqui é uma tradição da minha família que me acompanha desde o meu avô, que, quando adquiriu terras em Cosmópolis começou sua produção com frutas como uvas, laranjas” conta Karl.
O produtor Alcides produz laranja e goiaba e mantém um comércio.
Com tamanha tradição agrícola o município conta com 230 propriedades rurais e com o tempo passando e as dificuldades do setor acompanhando os produtores. Em 2004, os mesmos foram incentivados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas- SEBRAE através de um projeto do Sistema Agroindustrial Integrado- SAI.
“Através de um curso de capacitação, e um técnico para trabalhar conosco, formamos a Associação dos Produtores Rurais com o objetivo de comprarmos e vendermos em conjunto, com 30 produtores”, lembra Alcides.
Mas a formação da Associação não aceleraria a produção, tampouco supriria todas a necessidades dos associados. O município havia rompido convênio com o Estado e portanto não dispunha dos serviços da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral –Cati. “Ficamos na pendência da Casa da Agricultura e nos encontramos na mesma situação, sem um impulso para projetos, estamos lutando há quatro anos para que o município entregue a reforma do prédio porque o convênio já foi assinado e publicado no diário oficial”, afirma Alcides.
Para o produtor Karl, a assistência da Cati para o produtor rural familiar faz muita falta, principalmente nos momentos de dificuldades econômicas. “Eu senti falta da Cati quando eu estava passando por dificuldades financeiras e precisava do Pronaf , eu precisava do laudo para anexar ao pedido de financiamento, então me orientaram procurar a Cati de Artur Nogueira porque é o acesso que temos nas dificuldades e sempre somos atendidos, mas naquele pedido foi difícil. Nessa oportunidade eu tive o primeiro contato com o Escritório de Desenvolvimento Rural de Mogi Mirim e, por telefone eles me orientaram para conversar com o prefeito de Cosmópolis para resolver o problema, eu tentava, sem sucesso”, desabafa Karl.

Quando falam em planos para o futuro depois das conquistas de formar o Conselho, a Associação, conquistar a formalização do convênio com o Estado e esperar pela entrega do prédio, o futuro ainda parece muito distante, uma luta árdua de organização, encaminhamentos com mais acertos do que erros parece ter desgastado o sonho e a comemoração das conquistas. A única frase que vem à boca de Alcides e Karl é “Vamos esperar a abertura da Casa da Agricultura para fazermos planos próximos da realidade”.

Matéria publicada originalmente na edição 66 Jornal Pires Rural, 15/08/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

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