Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O BRASIL QUE DÁ CERTO




A Cooperativa Agrícola dos Pequenos Produtores Rurais Agrícolas, Cooperplantas, em Holambra, produtora de flores (vaso e corte) foi formada há seis anos para comercialização da produção dos pequenos produtores da região de Holambra, atendendo um raio de até 100 km de distância. Formada por 76 cooperados, conta com uma  equipe de 12 funcionários, atende numa área de 20.000m com uma estrutura construída de 2.000m, expediente de 2ª a 2ª e apresenta inadimplência R$ 0,00.
A iniciativa de formar uma cooperativa veio da experiência de um grupo de uma Associação de pequenos produtores de plantas que estavam passando por alguns problemas, como inadimplência por parte dos clientes (emitiam guias,notas, faziam cobranças e não conseguiam protestar os títulos) e também a perda de associados. Os associados pagavam luva para se associar e o pequeno produtor tinha dificuldades para associar-se.“Na época da Associação, enfrentávamos dificuldades como fazer a venda da produção no próprio sítio (incluindo carregamento), não conseguíamos avaliar novos clientes, a inadimplência foi aumentando e trazendo sérias conseqüências para os associados, que, desmotivados com a situação, foram se desligando”, conta Osmar Cândido Alves, presidente da Cooperplantas.
Diante das dificuldades, o pequeno grupo que resistiu na Associação resolveu formar a Cooperplantas com o objetivo de comercializar a produção num só local com eficiência e qualidade nos serviços prestados. Chegaram à conclusão, também, de que não é necessário o pagamento de luva por parte do produtor na admissão como cooperado e sim critérios na avaliação, porque o capital é baixo e o que conta é o capital social. “O cooperativismo é muito interessante para o produtor no sentido de diluir custos. O resultado é muito mais eficiente. Nós temos um diferencial; aqui o cliente não é um número, tampouco o produtor; cada um recebe o atendimento com respeito à pessoa” afirma  Francisco Antonio Maria Weijenborg, vice- presidente da Cooperplantas.
Para viabilizar as empresas cooperativas, são necessárias algumas condições internas, que são também diferenciadores da empresa capitalista, como ter uma grupo social coeso, tanto econômica como socialmente, com objetivos comuns, que podem transformar o capital excedente em capital cooperativo. O capital cooperativo difere do capital industrial, financeiro e agrário, ou seja, a sua mobilização não irá requerer no final do processo um capital maior do que foi inicialmente aplicado. O resultado desse processo será o benefício que o associado recebeu, ou a prestação de serviços que a cooperativa forneceu. O capital cooperativo só será possível devido à existência da empresa cooperativa, cujo objetivo não é o lucro, pois não tem sentido aplicar capital na cooperativa para receber dividendos, ou um capital a mais; daí a figura do empresário cooperativo.
A Cooperplantas não recebeu incentivo ou parceria no início do trabalho, o apoio é dos cooperados. “Infelizmente não houve formalização de parcerias, porque as parceria são muito bem vindas para uma cooperativa que está investindo. Nós fizemos um investimento de R$ 500.000,00. Trata-se de um investimento muito alto, o poder público pode e deve incentivar o cooperativismo com parcerias de ceder espaço para a realização do trabalho”, afirma Osmar Cândido Alves, presidente.
As vendas da Cooperplantas vêm crescendo consideravelmente a cada ano, o parâmetro para comparação é o dia das mães, e neste ano, o crescimento foi de 15% comparado a mesma data do ano anterior. Já em volume, o crescimento foi de 12%. Segundo Carlos Alberto de Oliveira, gerente comercial, os clientes da Cooperplantas variam muito, mas o mercado atacadista é o responsável pela grande porcentagem das vendas. O sucesso desses números se dá pela gestão baseada na seriedade, responsabilidade, voltada para o interesse coletivo para atender a necessidade   de todos com orientação para a qualidade da produção. 70% dos cooperados estão na região bem próximo a Holambra.
“ A Cooperplantas trabalha com uma projeção anual de crescimento na margem de 15%  de vendas, temos investimento para aumentarmos as vendas em 30%, mas nos falta produção”, afirma Osmar Cândido Alves, presidente.
O aumento na variedade de itens ocorre quando surge o lançamento de uma nova variedade de uma planta já comercializada, mediante avaliação dos produtores.

Para o presidente da Cooperplantas, o cooperativismo vale a pena e pode favorecer o produtor, mas o mesmo não dispõe de informações e motivação por parte das instituições para que o setor produtivo seja impulsionado pelo cooperativismo. O que acontece em Holambra é uma realidade completamente diferenciada, pois o cooperativismo tomou conta do mercado local. É comum em vários setores como cooperativa de crédito, cooperativa dos engenheiros, cooperativa de condônimos. “Aqui em Holambra o cooperativismo faz parte da cultura da cidade; uma conversa de amigos é o suficiente para formar um nova cooperativa”, afirma. 


Matéria publicada originalmente na edição 63 Jornal Pires Rural, 31/05/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então… 

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