Jornal Pires Rural - 10 anos de fatos

sábado, 30 de abril de 2016

Segurança na área rural




Dia 07 de março de 2009, a sede da Ong Viva Pires foi palco para um encontro entre diretores de associações de moradores existente na área rural como o bairro dos Pires, bairro monte alto, Areias, Frades entre outros e  o comandante do 5º BPM de Limeira, Capitão Sorge. O encontro foi mediado pela Ong Viva Pires pois surgiu da iniciativa do comercio local elaborar um abaixo assinado para trazer mais segurança para área rural. De posse do abaixo assinado Capitão Sorge veio até a reunião dizer aos presentes como é o funcionamento da Policia Militar. O primeiro passo, segundo ele, diante de qualquer furto ou roubo é necessário o registro de um boletim de ocorrência (B.O.), esse documento pode ser feito na delegacia (3º distrito, que atende a região do bairro dos Pires), e é imprescindível o registro no posto policial da Policia Militar, no caso da área rural o local indicado é na rua São Sebastião, no bairro da Boa Vista, na frente da escola Leovegildo. “Eu já orientei os policiais que trabalham naquela base para fazerem  boletim de ocorrência, pois esse documento vai servir como estatística para podermos aumentar o patrulhamento na área rural, mais especificamente o bairro dos Pires, Frades e Água Espraiada que é a nossa região de atuação”, disse aos presentes Capitão Sorge.



“O registro do B.O. para a Policia Militar são estatísticos para a realização de nosso trabalho para o envio de viaturas, patrulhamentos e realização de blitz, para a Policia Civil é o B.O. é para a investigação de crimes”, salientou Capitão Sorge.

Como houve uma mudança de região geográfica na atuação da Policia Militar, desde julho de 2008, Capitão Sorge orientou aos presentes para divulgar o registro do B.O. na Policia Militar para aqueles que possuem copia do documento registrado na Policia Civil, desde a data acima citada, para fazerem número as estatísticas de orientação do patrulhamento. O trabalho preventivo da Policia Militar hoje é feito com patrulhamento de viaturas em locais e horários esporádicos e sem direcionamento porque não existe registro estatístico.

 Matéria publicada originalmente na edição 73 Jornal Pires Rural, 31/03/2009-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

domingo, 24 de abril de 2016

IBS Mudas



A empresa IBS Mudas realizou evento para produtores de hortaliças no dia 9 de março em suas dependências com o objetivo de transmitir as tecnologias especificamente nas áreas de mudas, sementes e produção de hortaliças. O evento contou com a parceria do Sebrae, Cati, Esalq e Casa do Produtor Rural e empresas do setor de hortaliças. A programação contou com a presença de Mauricio Bicudo Sampaio, IBS Mudas, na palestra Processo de Produção de Mudas, Sebastião Wilson Tivelli, Instituto Agronômico de Campinas na palestra Transplante de Mudas x Semeadura Direta, no Cultivo de Hortaliças; Profª. Drª. Simone da Costa Mello, Esalq/USP.

Para Marcos Bicudo Sampaio, diretor da empresa IBS, o objetivo do evento é trazer o produtor de hortaliças para conhecer a estrutura e qualidade para valorização do produto final, a muda. “A maior preocupação do produtor do nosso cliente hoje são as pragas e doenças, pois é motivo de prejuízo na produção, como por exemplo, a maior preocupação do produtor há três anos era o mosaico na alface e hoje o mercado já oferece opções como uma variedade resistente a esse mal que tirava o sono do produtor”, afirma.
Para o produtor Fabio José Correia da Silva, Itapuí, SP, consumidor das mudas IBS há 6 anos, a qualidade das mudas de hortaliças o deixa mais seguro, a produção rende porque o enraizamento da muda é forte. “Eu vim buscar novidades sobre técnicas e variedades”, afirma.
O produtor Antonio Lembo, Ipeuna, SP, a importância da participação em eventos só traz vantagens. “Eu cheguei ao evento e, de cara já conheci a variedade de alface americana gloriosa, que resolve o problema que vem tirando o meu sono, porque eu não consegui colher alface americana neste verão”, afirma.


Matéria publicada originalmente na edição 73 Jornal Pires Rural, 31/03/2009-www.dospires.com.br]
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Citrosuco encerra produção e demite




A Citrosuco, segunda maior processadora de suco de laranja do mundo, anunciou o encerramento da produção na unidade de Bebedouro/SP. A unidade foi adquirida em 2004 no processo de compra, pela Citrosuco e pela Cutrale, dos ativos de produção de suco de laranja da Cargill no Brasil. Os mais de 200 funcionários da unidade já começaram a ser demitidos.

Em nota encaminhada pela empresa diz que manterá funcionários trabalhando nos serviços de recebimento de laranjas, armazenamento e movimentação de sucos. Outros trabalhadores serão transferidos para as duas unidades localizadas nas cidades de Limeira e Matão. “Comprometida com o desenvolvimento da citricultura brasileira e com o dinamismo socioeconômico da região de Bebedouro e do Estado de São Paulo, a Citrosuco confia plenamente no revigoramento das taxas de crescimento do consumo mundial de suco de laranja e continua a investir no aprimoramento de processos organizacionais e tecnológicos”, destaca o texto da assessoria.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bebedouro (SP) divulgou comunicado no qual repudia as demissões ocorridas na unidade da Citrosuco. Segundo o documento, o Grupo Fischer, controlador da empresa, agiu com "desrespeito" com o sindicato e "principalmente com os trabalhadores da referida empresa, dispensando os mesmos com uma fria carta recebida em sua residência, trazendo um grande transtorno e desconforto para seus familiares", informa José Antonio Janotta, presidente da entidade.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu que o Ministério da Fazenda e o governo paulista tentem encontrar uma fórmula para que a unidade volte a funcionar. Ele leu nota do sindicato dos empregados, onde eles lamentam a forma como a empresa comunicou as demissões. De acordo com o senador, há grande preocupação também entre os produtores de laranja da região, pois eles não sabem como poderão escoar sua produção. A Citrosuco, informou que pretende processar nas unidades de Matão e Limeira, as frutas da região de Bebedouro, mas os fazendeiros temem que isso acabe resultando em redução do preço que eles recebem.

A Citrosuco pertence ao Grupo Fischer e tem ainda uma fábrica de suco em Lake Wales, na Flórida (EUA) e outra em Videira (SC), onde também produz suco de maçã. A companhia possui o maior terminal do mundo de escoamento de suco, em Santos (SP), o maior terminal europeu, em Ghent (Bélgica), além de terminais em Wilmington (EUA) e Toyohashi, no Japão. A Citrosuco produz também óleos e essências, álcool a partir do bagaço e polpa cítrica.

A carência de matéria-prima, aliada a um processo interno de rearranjo na produção de suco de laranja, seriam os motivos


Matéria publicada originalmente na edição 72 Jornal Pires Rural, 15/02/2009-www.dospires.com.br]
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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sindicato dos Trabalhadores Rurais vira peça de museu:

Servindo aos trabalhadores rurais

Fundado em 1962, e oficializado em 1965 com o recebimento da carta sindical, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Limeira é composto de uma diretoria com 12 membros e desde sua fundação apenas dois nomes ocuparam o cargo de presidente.



Esse e outros relatos a seguir são do Sr. Antonio Pereira, 78, ele é o segundo presidente eleito do Sindicato, está no cargo desde dezembro 1995 e recentemente foi reeleito para seguir o mandato até 2013. No dia da entrevista estava também Sr. Luiz Inocêncio, 79, que exerce a função de secretário. Ambos trabalham diariamente na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Limeira, das 8 às 11hs e das 13 às 15h45min, ele esta localizado na Rua Barão de Cascalho, próximo à rodoviária. Lá a maioria dos atendimentos aos rurícolas é feito por telefone e a dúvida mais frequente é sobre o piso salarial pago aos trabalhadores rurais que é o mínimo de R$490,00 mensais. Valor reajustado em outubro de 2008 e aqueles que ganham acima desse valor o reajuste a ser aplicado são de 8%. Segundo Sr. Antonio os assuntos referentes a intrigas trabalhistas são direcionados para o departamento jurídico que fica em um escritório de advocacia em outro endereço.
O prédio em que esta localizado o Sindicato pertence à Prefeitura de Limeira que empresta o local desde 1984. Hoje, esse imóvel é dividido com o Grupo da Terceira Idade.
O Sindicato é um local pacato, quase ninguém vai lá, em mais de duas horas de conversa o telefone tocou duas vezes (uma era engano e outra a dúvida era sobre salário), a única pessoa a entrar lá, foi para saber informações do vizinho. Mas nem sempre foi assim. Segundo Sr. Antonio, nas décadas de 70 e 80 o movimento era intenso. Em 1980 chegaram a ter clínico geral e dentista no local. “Naquela época, fazíamos homologação, atendimento ao público, filiação de associados, agendamento médico. Eu participava de reuniões por toda a cidade, desde o Conselho Agrícola Municipal até sobre a compra de produtos produzidos em Limeira para a merenda escolar. Mas sempre fui ouvinte, não me envolvia na “politicagem”. Em mais de 40 anos de Sindicato nunca fiz uma greve, nenhum problema sindical, nenhum transtorno político”, relatou.

Mas o que aconteceu que ninguém vem mais aqui?

“Bom, há uns 20 anos atrás, tinha um advogado chamado Milton Borba Canicoba, já falecido, que cuidava das coisas desse Sindicato, lá em São Paulo, na sede da FETAESP e aproveitou uma Lei Federal que podia optar pela troca dos associados. Os patrões passaram a recolher a confederativa (imposto de 1% recolhido do salário de cada trabalhador rural) e isso fez diminuir o número de visitas e acabou com nosso quadro de associados”, disse ele.


O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Limeira não tem funcionários?

“Não tem. Já teve. Trabalhou 30 anos aqui e pediu a conta. O médico e o dentista pararam de vir porque caiu o número de atendimentos. Mas o dentista veio até 2006, quando foi demitido, ele vinha aqui uma vez por mês para buscar o salário, mas não tinha nenhuma consulta. Nós temos um consultório aqui montado, completo, mas os equipamento são muito antigos. Os recursos para a compra desses equipamentos vieram pelo FUNRURAL”, explica Sr. Antonio.




Aqui tem computador e internet?

“Internet não. Computador eu ia comprar, mas o funcionário pediu a conta, não precisei comprar”, disse.

Então, só vocês dois trabalham aqui? E vocês ganham?

“Recebemos uma gratificação sindical. Sou eu que faço o serviço de banco, depósito, pagamento e emito as guias para o Sindicato Patronal de Limeira. Trabalhamos em parceria com eles. Depois que eles recolhem o valor do imposto eles nos repassam”, contou.

Sr. Antonio conte um pouco como entrou para o Sindicato?

“Eu sempre fui trabalhador rural. Trabalhava na fazenda 7 lagoas agrícola em Mogi Guaçu. Aposentei em ´92. Junto com o primeiro presidente, João Santoro, ajudei a fundar o Sindicato em 1962. Sempre fui membro da diretoria e com o falecimento do João em 1995, me tornei presidente”.

Os outros componentes da diretoria são de Limeira?

“O Sindicato atende também as cidades de Cordeirópolis e Iracemápolis. O Luiz, aqui do meu lado, pode falar”, diz.

Sr. Luiz conta: “desde 1972, eu trabalhei na sede do sindicato lá em Iracemápolis. A Usina Iracema passou a recolher o imposto para o Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, lá fechou e há três anos venho pra Limeira de segunda à sexta. Os outros diretores moram longe, vem aqui uma vez no mês”.

Para concluir Sr. Antonio, já que o Sr. foi reeleito presidente e ocupará o cargo até 2013, quais são os planos para o futuro?

“Eu não faço mais planos para o futuro”, concluiu.


Matéria publicada originalmente na edição 71 Jornal Pires Rural, 15/02/2009-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

João Santa Rosa - Balanço da agricultura de 2008




João Santa Rosa, agricultor, nascido no Centro Rural do Pinhal, Limeira , foi presidente do Centro Rural do Pinhal e da Comunidade São José do Centro Rural, presidente do Sindicato Rural Patronal de Limeira nos últimos três anos. Trabalhou na agricultura até os 40 anos de idade. Segundo ele,  “carregou a bandeira rural” em busca de soluções de melhor qualidade de vida para os produtores. “Eu acredito que deveríamos ter a mesma qualidade de vida que as pessoas do perímetro urbano, como ruas asfaltadas, segurança, praças.
Acredita que somente uma política agrícola sancionada pelo governo federal pode realmente tranquilizar o mercado agrícola, com a garantia do preço de custo na produção. Já no que diz respeito especificamente à cidade de Limeira, o cenário é alarmante . Chega a arriscar que, num prazo de 03 anos, a área rural de Limeira terá um novo cenário, marcado pela cana-de-açúcar e a agricultura de subsistência justificado pelo grave problema de renda mínima para o agricultor limeirense.
Presidente do Sindicato Rural Patronal de Limeira até 2008, entrega o cargo para o produtor Nilton Picin. “Desejo um bom início de 2009. E, procurem alternativas viáveis na agricultura, contando sempre com o trabalho do Sindicato Rural Patronal e o respaldo jurídico que oferecemos”, afirma João Santa Rosa.
Jornal Pires Rural: São tantos anos na área rural. Uma luta intensiva para trazer melhorias e dignidade ao homem do campo. O Sr. passou a “brigar” ou “chorar” por conquistas na área rural?
João Santa Rosa: “Chorar”. Porque esbarrávamos em algumas questões que estavam longe das possibilidades (do poder público) e sabíamos que eram viáveis e positivas. Mas, quando chegávamos a um nível mais elevado de autoridades para solicitar pedidos, havia a desmotivação causada pela burocracia. Sempre deparamos com muitas dificuldades no que reivindicamos para a área rural.

Jornal Pires Rural: Quais mudanças significativas o Sr. acompanhou ou que ainda estão por ocorrer?
João Santa Rosa: Uma mudança que houve e que eu considero importante, foi o investimento no aumento da qualidade dos produtos agrícolas, para ser mais específico, na produtividade por área. Se isso não tivesse ocorrido, não teríamos mais produtores na área rural, porque em 1985, quando eu comecei a produzir soja, nós conseguíamos produzir no máximo 40 sacas por hectare. Hoje, com os investimentos em genética e tecnologia, conseguimos 65 sacas por hectare. Esse avanço em alimentos geneticamente modificados, o aumento da produtividade fez com que o produtor permanecesse no campo por um período maior.
Uma outra mudança foi o comportamento do produtor rural com capacitações, investimentos, por acreditar no que estava por acontecer. O que não houve é uma política agrícola para o país. Infelizmente, cada um (produtor) quer, plantando de acordo com o preço da safra anterior. Nós devemos plantar segundo a demanda nacional de cada produto. Porque se o milho teve um bom preço em 2008 todos querem plantar milho na safra seguinte ocorre a desvalorização do produto. O Brasil não tem uma política agrícola para incentivar o produtor a plantar. O governo (federal) tem negado que a produção de cana-de-açúcar não tem diminuído a produção de grãos. É mentira. Na verdade muitos produtores do Estado de São Paulo, que tinham áreas de cultivo de laranja, soja, há 03 anos plantaram cana-de-açúcar em função do preço na época e, hoje voltar ao cultivo de laranja é inviável. É isso que não pode ocorrer. Porque cada região deve plantar o que é pertinente ao clima e altitude. Se continuar assim, não teremos o que comer.


Jornal Pires Rural: O que o Sindicato Rural Patronal tem feito para que as autoridades respeitem as condições reais da agricultura brasileira?
João Santa Rosa: Nesses 03 anos como presidente do Sindicato Rural Patronal, “brigamos” pela política agrícola. Mas, o assunto sempre esbarra no tamanho do país porque quando o assunto chega em Brasília a diversidade dos estados acaba implicando cada um “defender” as suas necessidades e então não vemos resultados positivos. As discussões são setorizadas na Federação dos Agricultores do Estado de São Paulo – Faesp. Assuntos como a cana-de-açúcar, o café, a citricultura, são relevantes e levados a Brasília para a Confederação Nacional da Agricultura – CNA. Pelo menos avançamos nas discussões dos problemas levando em consideração a realidade do campo, o que não ocorria. As  decisões eram tomadas sem ouvir representações do produtor. Como por exemplo, “favorecer” o produtor prolongando o pagamento de máquinas por mais 10 anos, essa determinação ajuda sim os bancos e empresas de implementos agrícolas continuar vendendo. E o produtor tem que pagar sua dívida da mesma forma.
O governo (federal) defende o setor que está do seu lado. Todas as políticas que o governo sancionou foram sem consultar as bases da agricultura, e sim em nome dos banqueiros com a intenção de diminuir a inadimplência dos bancos.
O Sindicato Rural tem incentivado os cursos do Senar com o objetivo de agregar valores dentro da propriedade através da agroindústria para a agricultura familiar e assentamentos.

Jornal Pires Rural: Os produtores de Limeira já estão colhendo resultados com as capacitações?
João Santa Rosa: Limeira precisa de uma associação de produtores rurais e depois atrair o mercado, como a Associação de Orquidófilos de Limeira.
Nós (limeirenses) sofremos mais  por termos sido pioneiros na produção de laranjas. São mais de cem anos de citricultura. São várias gerações e hoje temos apenas 30% da produção agrícola e 70% de cana-de-açúcar. Vocês têm andado pela área rural e têm percebido que os pais estão idosos e cuidando das propriedades, sobrevivendo e os filhos foram trabalhar na cidade. A minha família é numerosa, são 10 irmãos e apenas 03 estão na profissão de agricultor, dos sobrinhos, apenas 02 optaram pela agricultura. As faculdades formam engenheiro agrônomo, mas não formam agricultores. Ser agricultor é algo nato. E, ele para para pensar de que é que adianta a sua realização se ele não consegue suprir as necessidades da sua família.

Jornal Pires Rural: Então qual é a solução?
João Santa Rosa: A solução é formar uma associação com o gerenciamento técnico do Sebrae em parceria com a indústria e agregar valor para a produção.

Jornal Pires Rural: A proposta de formar associações é bem aceita pelos associados do sindicato Rural Patronal?
João Santa Rosa: A dificuldade é justamente essa. Nós pregamos a importância de uma associação, a diversificação de culturas. Há pouco tempo fomos procurados por uma empresa para a produção de goiaba. Compareceram 28 produtores e apenas 02 assumiram, sem adesão mínima, o projeto não prosperou. A proposta era razoável. O rendimento seria 5 vezes mais que a produção de laranjas.

Jornal Pires Rural: Qual é o futuro da agricultura em Limeira?
João Santa Rosa: Eu estou acompanhando a supervalorização da terra no nosso município e a instalação de grandes empresas na área rural, como é o caso da rodovia  Limeira- Mogi Mirim. Até 02 anos atrás, pagava-se R$ 40.000,00 por um alqueire de terra. Hoje já se fala em R$ 100.000,00. Ao se especular esse valor para um alqueire de terra, a agricultura acabou. O produtor pode vender suas terras e ir embora.    
Limeira terá cana-de-açúcar em terrenos com topografia plana para mecanização e as demais propriedades terão agricultura de subsistência ou vão ser transformado em chácaras de recreio. Limeira transformou 105 propriedades em chácaras de recreio.
Até pouco tempo atrás eu iniciei um movimento contra o avanço da especulação imobiliária na área rural, principalmente na bacia do Pinhal. Quando questionei alguns produtores sobre o que aconteceria com aquela área de fonte abastecimento de água potável para a cidade de Limeira, eles me responderam que são favoráveis à instalação de indústrias pela oportunidade de empregos para a área rural. Os produtores rurais estão com dificuldades em manter a renda mínima.
Em 1972, aconteceu uma fase muito boa na citricultura e o produtor ia até a loja “Batistton” fazer a encomenda de um novo trator e a espera para a entrega era de até 01 ano e muitas vezes com a exigência da aquisição de um implemento. Hoje, você visita uma propriedade e encontra o trator daquela época, sem segurança de 30, 40 anos atrás. Os produtores que adquiriram terras fora de Limeira conseguem manter as propriedades de Limeira. Os que permaneceram estão com sérias dificuldades, fazendo “bicos” como pedreiros ou faxineiras. Eu vejo com muita precaução a atividade rural no nosso município. O produtor rural vai abandonar a profissão, vai vender a propriedade e em 03 anos teremos outra realidade. Eu sou realista: o pequeno produtor rural está resistindo sem renda mínima. Já o médio produtor mantém outras atividades além da rural e aquela que estiver dando prejuízo será a primeira a ser vendida.

Jornal Pires Rural: O Sr. pode avaliar como foi o ano de 2008 para a agricultura?
João Santa Rosa: Foi um ano difícil. A crise americana nos afetou com a alta nos preços dos fertilizantes, herbicidas, agrotóxicos com a alta do dólar o que não garante que o produtor possa obter lucro na venda da próxima safra. O fertilizante teve uma alta jamais esperada e o desafio é que não tenhamos saudades de 2008.

Jornal Pires Rural: Qual é a sua orientação para os produtores enfrentarem a grave situação?

João Santa Rosa: Reduzir o plantio (opinião pessoal). Na hora em que a produção atingir números alarmantes, o governo federal terá que tomar alguma providência. Queremos preço de custo, não preço mínimo, para que o produtor não tenha prejuízo. Se o governo garantir a compra da saca de milho a R$ 15,00 o mercado comprará por R$ 0,01 a mais.    


Matéria publicada originalmente na edição 71 Jornal Pires Rural, 15/12/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

A realidade de uma microbacia hidrográfica




O Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas (PEMH) foi lançado de forma abrangente desde 2002 e veio encontrando, ao longo dos anos, a realidade peculiar de cada região paulista.
Esse Programa Estadual é financiado pelo Banco Mundial e executado pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), presente nos mais de 600 municípios paulistas. Na cidade onde existe o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, são seus membros quem escolhe a área agrícola do município onde devem ser realizadas as benfeitorias e incentivos do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas.
Em Limeira, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, cujos membros são ligados a sindicato, prefeitura, instituições e empresas privadas, através de alguns parâmetros (área degradada, número agricultores familiares, etc.) indicaram quais localidades se enquadravam no Programa de Microbacias.
Isto posto, iniciou-se a microbacia da “Águas da Serra”, próximo ao bairro Nossa Senhora das Dores, rodovia Bandeirantes e estação de tratamento de esgoto “Águas da Serra”.

Barreiro Farto
Porém, há quatro anos, uma outra região foi indicada para o Programa de Microbacias, no bairro Água Espraiada, a microbacia do “Barreiro Farto”. Nesse local os moradores, cerca de 30 famílias, foram convidados pelos técnicos da CATI para assistirem a uma palestra sobre o significado do Programa Estadual de Microbacias.
Luiz Barbosa e Leandro Paes, presentes naquela reunião, lembram-se que foi prometida uma ajuda, inclusive financeira, para a construção de fossa séptica, poço artesiano, cerca nas propriedades, calcários e implementos. Luiz Barbosa conta que passados quatro anos “não vi nada de concreto. Eu vejo que a CATI tem boas intenções no papel, mas é muita burocracia e pouca ação. É algo que vem de cima para baixo. Depois de preencher um monte de papelada, meu primo conseguiu calcário para aplicação no pomar, mas quase que não chegou no tempo certo. Nem sei se ele teve que pagar e depois foi reembolsado”. Leandro Paes disse que “por enquanto, eles só fizeram as bacias de captação de água, algumas reuniões e os curso no centro comunitário”. Luiz acha que “existe coisa mais importante que curso de sabão”. Leandro continua contando que “desde 2004 foi falado em arrumar calcário, fazer fossa, poço e disso não veio nada. Participei de duas reuniões, uma em Piracicaba e outra em Limeira, para montar uma associação, mas nada foi feito e tá tudo parado”.

Cursos de Capacitação
Outra moradora da microbacia do “Barreiro Farto” é a Sra. Geralda Paes que sempre participa dos eventos na comunidade. Ela também participou da reunião e contou que naquele dia “vieram uma moça e um moço que não sabiam ligar o notebook. Quando é assim tem que trazer uma pessoa que sabe, né? Mas daí falaram da microbacia, da água, que tem que preservar a água, que está acabando a água. O moço também falou sobre a instalação de poço. Só que, se muita gente pedisse o poço, ia ter que fazer uma programação, cheia de documentação, que iria levar dois anos para começar o primeiro poço e ainda tínhamos que pagar. Perguntei como ele tinha coragem de oferecer um poço desses? Sobre o calcário, se tivesse muitos pedidos, ele também não daria conta de atender. Olha, deu tudo em nada”, relata dona Geralda Paes. Perguntamos a ela sobre o que achou dos cursos ministrados pela CATI no centro comunitário. “Ah! Foi bom. Teve de bolo, de sabão, a comunidade se uniu. Mas se o objetivo era fazer os cursos e ganhar dinheiro, ninguém tá ganhando”, disse. Perguntada se espera algum curso que aumente a renda da propriedade e se estaria disposta a abrir um negócio; ela diz: “Eu queria o derivado de leite. Aprender a fazer mussarela. Mas não vou abrir nada. É só pra gente da família”. Sobre o que a senhora viu e ouviu do Programa Estadual de Microbacias, qual seria a necessidade para o seu bairro? “Um posto policial, que aumente a nossa segurança”, finaliza dona Geralda Paes.

Motivação
A questão do poço artesiano contemplada pelo Programa de Microbacias, segundo relato de Luiz Barbosa que diz ter assinado um “papel”, com mais quatro vizinhos, reivindicando um poço, até agora nenhuma resposta foi dada. Disse ainda, que não pegou nenhum protocolo referente a esse pedido.
Pelas palavras de dona Geralda Paes e outros moradores, entendemos que o começo da tranquilidade para o produtor rural está na segurança de seu lar, de sua família e de seus bens. A motivação não se resume em um bom programa datilografado, promessas de cercas, poço, fossa e outros itens básicos. É preciso creditar esse trabalhador, com ações realmente práticas, pois a impressão que ficou para eles é que tudo não passou de uma artimanha política.


No Escritório de Desenvolvimento Rural, órgão da CATI, que responde por Limeira e mais 13 cidades, encontramos o diretor técnico, Carlos Tessari Habermann responsável pelas ações do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas em nossa região. Ele foi nosso entrevistado para relatar como foi trabalhar o Programa de Microbacias. De acordo com ele, a implantação da segunda microbacia em Limeira, o “Barreiro Farto”, começou tarde e houve uma troca de técnicos municipalizados para a realização do trabalho. Em 2008 o técnico se dedicou ao LUPA, pois tinha prazo de entrega. Ele também não soube especificar quais as benfeitorias realizadas, pois, “o técnico teria que estar junto comigo para ele ir me fornecendo os dados e eu passar para você”. Sr. Carlos ainda disse que o Programa foi uma nova maneira de trabalhar para o agricultor e demandou um lento aprendizado, mas que “já está tudo certo” para a realização de um segundo programa estadual, com recursos financeiros do Banco Mundial novamente, nos moldes do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas e “aí será tudo mais fácil, pois, já temos o “know-how”, disse o diretor. Leia mais trechos da entrevista abaixo.

Jornal Pires Rural: Em Limeira a microbacias do “Barreiro Farto” começou há quatro anos, o que houve desde então?
Carlos Tessari Habermann: Na realidade foi trocado o técnico municipalizado da CATI. Aí começou a trabalhar tarde por lá. É uma região onde tem mais proprietários, não dá para fazer um trabalho maior. O convênio para a realização do Programa acabou em 30/11/2008.

JPR: O que aconteceu que nada foi feito?
CTH: Em 2008 tivemos que fazer o levantamento do LUPA, com os dados de 1.800 propriedades, o que consumiu muito do nosso tempo. ,Na microbacia é um mundo de papelada que se faz, tem o PIP (projeto individual de propriedades). Aconteceram diversas coisas boas lá.

JPR: Como por exemplo?
CTH: Algumas iniciativas foram feitas lá.

JPR: Que iniciativas, por exemplo?
CTH: Dependia muito do que estava no PIP. Às vezes o sujeito não queria determinada coisa ou demorou em decidir. Nada é feito sem o consentimento do agricultor.

JPR: Que outros incentivos o Sr. poderia citar que ajudou no desenvolvimento sustentável dos agricultores da microbacia do “Barreiro Farto”?
CTH: O técnico teria que estar junto comigo para ele ir me fornecendo os dados e eu passar para você. Agora, o pessoal querendo continuar com o Programa que está para sair uma segunda etapa, a gente vai tentar trabalhar lá e realizar realmente os incentivos necessários. Nessa segunda etapa haverá ênfase na competitividade da agricultura familiar para que o agricultor possa continuar na zona rural, tendo emprego e renda. O foco agora é a competitividade da agricultura familiar no agronegócio.

JPR: O Sr. acha que os moradores da microbacia do “Barreiro Farto” têm culpa por nada ter acontecido, através do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas?
CTH: É o primeiro problema do Programa de Microbacias que nós estamos desenvolvendo. Quando tudo começou, estávamos amadurecendo. Achamos que no “Microbacias 2”, vai ser muito mais fácil. Porque a gente já aprendeu. Tem que fazer mais reuniões com os produtores, se não eles acabam esquecendo. Estar sempre em contato. A gente estava aprendendo muito e o Banco Mundial aprovou o que foi feito nas microbacias.

JPR: O Sr. quer dizer que o Programa Estadual de Microbacias foi para aprendizado?
CTH: Foi. Muito devagar, no começo, por sinal. A gente não sabia, eram muitos papéis, mapeamento ambiental, etc. Tivemos problemas com falta de tempo do novo técnico, tínhamos um prazo para entregar o LUPA. Começar uma maneira diferente de trabalhar com organização rural, é complicado. Mas agora já sabemos tudo. Já foi feita uma reunião com os agricultores e eles assinaram um termo que querem continuar com o programa assim que ele voltar. Tem um detalhe, a nossa região é menos pobre, temos fruticultura, chácaras, sítios menores. Aqui, às vezes, o produtor não precisa de uma ajuda de R$500,00, isso é pouco, mas, no noroeste do estado de SP é uma boa ajuda. Pode ser R$200,00, mas, o montante de papelada o produtor acha que dá muito trabalho.

JPR: Pra finalizar Sr. Carlos, o “Programa Estadual de Microbacias melhora sua vida”?
CTH: Melhora. Porque ele ajuda o agricultor a ter um rendimento maior na plantação. Os incentivos que ele recebe, ajudam a escoar a produção e transporte dos filhos para a escola. Diminuem a erosão com terraceamento e com isso a produção vai aumentando. É gradativo.

No que consiste o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas?
É um programa do Governo Estadual, parcialmente financiado pelo Banco Mundial e executado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – CATI, com o objetivo de promover o desenvolvimento rural sustentável no Estado de São Paulo, que tem a microbacias hidrográfica como unidade de trabalho.

O que é uma microbacias hidrográfica?
É uma área geográfica delimitada por divisores de água (espigões), drenada por um rio ou córrego, para onde escorre a água da chuva.

Quais são os objetivos do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas?
•Contribuir para a conscientização da comunidade sobre a necessidade de conservação dos recursos naturais
•Eliminar os problemas causados pelas erosões
•Viabilizar a recuperação de áreas degradadas
•Reduzir o custo de manutenção das estradas rurais
•Diminuir os riscos de poluição da água, contaminação de alimentos e intoxicação do homem pelo uso de agrotóxicos
•Recompor e manter as matas ciliares
•Proteger mananciais e nascentes
•Fortalecer a organização dos produtores rurais
•Capacitar os agricultores para o gerenciamento eficiente da unidade de produção de forma sustentável
•Transformar os agricultores e suas famílias em agentes de desenvolvimento

Dados do informativo “CATI responde 29” editado pelo CECOR/DCT/CATI/SAA e pelos autores Eng. Agrº José Luiz Fontes, Cláudio Antônio Baptistella e Paulo Antônio Modesto.

Animais presentes em área de manancial.


Iniciado há quatro anos atrás o Programa Estadual de Microbacias, na microbacia do “Barreiro Farto”, bairro Água Espraiada, área rural de Limeira/SP. Falamos com três pessoas sobre o Programa. Algumas das opiniões: Luiz Barbosa conta que passados quatro anos “não vi nada de concreto. Eu vejo que a CATI tem boas intenções no papel, mas é muita burocracia e pouca ação”. Leandro Paes disse que “por enquanto, eles só fizeram as bacias de captação de água, algumas reuniões e os curso no centro comunitário”. E a Sra. Geralda Paes disse que “perguntei ao técnico, como ele tinha coragem de oferecer um poço desses? Sobre o calcário, se tivesse muitos pedidos, ele também não daria conta de atender. Olha, deu tudo em nada”. No Escritório de Desenvolvimento Rural, órgão da CATI, que responde por Limeira e mais 13 cidades, encontramos o diretor técnico, Carlos Tessari Habermann responsável pelas ações do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas em nossa região. De acordo com ele, a implantação da segunda microbacia em Limeira, o “Barreiro Farto”, começou tarde e houve uma troca de técnicos municipalizados para a realização do trabalho.

Matéria publicada originalmente na edição 71 Jornal Pires Rural, 15/12/2008-www.dospires.com.br]
Em comemoração aos 10 anos do início do Jornal dos Pires, logo acrescentado o Rural, tonando-se Jornal Pires Rural, estaremos revendo algumas das matérias que marcaram essa década de publicações, onde conquistamos a credibilidade, respeito e sinergia com nossos leitores e amigos. Quase sem querer iniciamos um trabalho pioneiro para a área rural de Limeira e região, fortalecendo e valorizando a vida no campo, que não é mais a mesma desde então…

Conselho Regional Rural de Mogi Mirim e região

O Conselho Regional Rural da região de Mogi Mirim envolve 11 Conselhos Municipais de Desenvolvimentos Rural em sua constituição. Temos acompanhado a dedicação de seus representantes legais na luta pelo desenvolvimento da região agrícola e inspiração pela representatividade do produtor rural frente a políticas públicas.
Conversamos com o Secretário do Conselho Regional Rural Luiz Oda Honma após reunião mensal do Conselho na Coordenadoria de Assistência Integral-Cati.

Jornal Pires Rural: Como é composto um Conselho Regional?
Luiz Oda Honma: O Conselho Regional Rural é composto pelos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Agrícola. A composição dos conselhos depende de município para município. A maioria dos Conselhos presentes na composição do Conselho Regional não trazem como presidentes secretários municipais da agricultura em seus municípios. Acredito que o fato de o presidente do Conselho Municipal ser um produtor rural facilita o debate dos assuntos pertinentes da área, enquanto que se o presidente do Conselho Municipal for o Secretário da agricultura, o debate pode correr o risco de que a  função de presidente seja uma extensão debatendo os interesses da pasta no município. Mas, eleger um produtor rural presidente do Conselho Municipal é uma tarefa difícil, pois a função exige um líder disposto, com iniciativas, disposto a persistir na conquista frente a políticas públicas no setor agrícola.

Jornal Pires Rural: Quantos Conselhos Regionais Agrícola existem no estado de São Paulo, e, existe uma troca de informações entre os Conselhos Regionais Agrícola?
Luiz Oda Honma: Formalmente existem 44 Conselhos Regionais (Agrícola). Não temos contato ou conhecimento do trabalho de outros conselhos. Um dos assuntos da pauta da reunião de hoje (03 de dezembro) é a provocação de outros Conselhos para constatarmos se os Conselhos tem as mesmas dificuldades e então, ao invés de reivindicarmos pelas mesmas necessidades, poderíamos nos unir para termos força política. O conceito do Conselho Regional Rural é formar um Conselho Estadual Agrícola, o que depende do aval do governador do Estado de São Paulo.

Jornal Pires Rural: Como tem sido os encaminhamentos do Conselho Regional Agrícola nesses dois anos de trabalho?
Luiz Oda Honma: As reuniões são mensais. Procuramos trabalhar com as dificuldades emergentes dos Conselhos Municipais. O direcionamento das discussões são as necessidades em pauta. A adesão dos Conselhos Municipais nesses dois anos tem sofrido oscilação, a freqüência aumenta na medida em que os assuntos em questão envolvem ações concretas, com resultados imediatos. Quando as reuniões envolvem discussões sem ações, o pessoal se distancia.

Jornal Pires Rural: Você acha que as pessoas querem um retorno contínuo dos assuntos debatidos pelo Conselho Regional Agrícola, na mídia?
Luiz Oda Honma: O pessoal reclama por resultados. Pelo fato do conselho não ser deliberativo causa uma falsa impressão de ausência de resultados. Não é o que ocorre. Os resultados existem. Como por exemplo, quando o governo estadual disponibilizou recursos para renovação dos pomares e a região de Mogi Mirim não foi contemplada pelo Fundo de Expansão da Agricultura e Pecuária – FEAP. Então, entramos com encaminhamento, os produtores receberam os recursos. Não publicamos o resultado.
Neste momento o Conselho Regional está trabalhando na adesão dos municípios para o fornecimento da produção do agricultor familiar para os municípios consumirem na merenda escolar local. É uma forma para que o município possa consumir o que é produzido no próprio município e lhe garanta a compra de R$ 10 000,00 ano. O município deve fazer a adesão, o produtor garantir a produção.

O conselho Regional vai tentar buscar recursos onde houver disponibilidade. Os recursos existem, mas é preciso o trabalho de um grupo empenhado na busca.

Matéria publicada originalmente na edição 70 Jornal Pires Rural, 15/11/2008-www.dospires.com.br]
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Vacinação bovina




O mês de novembro é marcado, para os pecuaristas, como mês da 2º etapa de vacinação contra febre aftosa em bovinos e bubalinos. Responsável por incentivar e fiscalizar essa campanha estadual está o Escritório de Defesa Agropecuária – EDA, cuja sede de Limeira responde por outros 14 municípios. O Jornal Pires Rural foi convidado para acompanhar as fiscalizações realizadas na cidade de Leme dia 17/11.
Acompanhado da Médica veterinária Hinig Isa Godoy Vicente, e do técnico agropecuário Expedito Fernandes Gonçalves, ambos do Escritório de Defesa Agropecuária, visitamos o bairro Taquari, um pequeno vilarejo rural, distante 18 km da cidade, na propriedade do Sr. Gonçalo Donizete Carvalho, onde mora há 10 meses e cria 4 cabeças de gado.
Segundo a veterinária Hinig Isa essa inspeção é chamada de “vacinação assistida”, é marcado com antecedência e visa informar dados sobre vacinação, entrega de relatórios e saúde animal. Portanto nesse dia o sr. Gonçalo já estava esperando o grupo do EDA e orientado a chamar visinhos próximos para que pudessem estar presentes na vacinação e serem orientados em conjunto. No dia estavam presentes criadores de animais e membros do sindicato rural patronal de Leme, inclusive o irmão de Sr. Gonçalo que trouxe o rebanho para ser vacinado e dividirem o frasco. Foram vacinados 12 animais, de 4 a 36 meses de idade. Hinig Isa e Expedito Fernandes passaram as orientações aos presentes e após assistirem a vacinação auxiliaram no preenchimento obrigatório da declaração de vacinação contra febre aftosa (leia quadro ao lado). Para sr. Gonçalo a presença desses técnicos foi “uma surpresa mas, que a orientação valeu a pena, porque dá a certeza de que estamos fazer tudo certo’, disse.
Em outra propriedade inspecionada, pela vacinação assistida, foi no bairro Serelepe, no sítio Santo Antônio, um local onde está se transformando em área urbana, com loteamentos de casas ao redor, e o proprietário do sítio, Ângelo Mardegam Neto, também acabou de vender sua área de 3 hectares. No sítio há 36 cabeças de gado, que estavam a nossa espera, presas no “manguerão”, para serem vacinadas. Ângelo trouxe o isopor contendo o frasco de medicamento, a pistola e agulhas para serem trocadas a cada 10 animais vacinados, conforme recomendação da veterinária. Ângelo disse que “espera que as inspeções ajudem a todos os pecuaristas de São Paulo vacinarem e terem um gado livre da febre aftosa”

Orientações
Hinig Isa nos relatou que “o caráter dessa vacinação assistida é a orientação e não punição. Entender a dificuldade da pessoa e procurar educar para o manejo certo. Só haverá punição se persistir o erro”.  Dentre os aspectos mais importantes citado por ela está o cuidado em manter o frasco do medicamento em baixa temperatura (entre 2 e 8 grau), caso contrário pode ficar sem efeito. “Na hora da compra do medicamento ele tem que vir acondicionado em um isopor e na hora aplicação também é importante manter o frasco nesse isopor”, salientou.
Ao todo no EDA estão cadastradas 2.500 propriedades e através de um sorteio serão 10 as visitadas de forma assistida. O EDA de Limeira é uma das 40 unidades regionais da CDA (Coordenadoria de Defesa Agropecuária) e atende os municípios de Analândia, Araras, Cordeirópolis, Corumbataí, Ipeúna, Iracemápolis, Itirapina, Leme, Pirassununga, Porto Ferreira, Rio Claro, Santa Cruz da Conceição, e Santa Gertrudes.


Matéria publicada originalmente na edição 70 Jornal Pires Rural, 15/11/2008-www.dospires.com.br]
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